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17/Jun/2026

Produção brasileira de trigo deve recuar em 2026

Segundo projeção do Itaú BBA, a produção brasileira de trigo na safra 2026 deverá atingir 6,2 milhões de toneladas, volume 20% inferior ao registrado no ciclo anterior. A estimativa reflete a redução da área cultivada e a menor atratividade econômica da cultura diante dos custos de produção mais elevados. Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indicam retração de 13,4% na área plantada e queda de 7,6% na produtividade média. O cenário de margens mais apertadas levou produtores a reduzirem investimentos e adotarem postura mais conservadora na condução das lavouras. A semeadura da safra alcançou 45,3% da área prevista no País. As condições climáticas permanecem favoráveis na Região Sul, onde a umidade recente beneficiou a emergência e o desenvolvimento das plantas. Em contrapartida, áreas do Centro-Oeste e do Sudeste enfrentam restrições hídricas pontuais, com impacto sobre as lavouras conduzidas em sistema de sequeiro.

A confirmação do fenômeno El Niño representa um fator adicional de risco para a produção. Embora o fenômeno possa favorecer a disponibilidade hídrica inicial no Sul, o excesso de chuvas ao longo do ciclo pode elevar a incidência de doenças e comprometer a qualidade dos grãos na fase final de desenvolvimento. No mercado doméstico, os preços seguem sustentados. No Paraná, principal Estado produtor, a cotação atingiu R$ 69,97 por saca de 60 Kg em 10 de junho, acumulando valorização de 6% nos últimos 30 dias. A liquidez permanece limitada, com produtores retendo oferta durante a entressafra e moinhos adotando postura cautelosa diante das dificuldades para repassar custos ao mercado de farinha. A valorização do dólar também tem contribuído para elevar a paridade de importação e dar suporte às cotações internas. Diante da expectativa de menor produção nacional, a projeção é de manutenção de preços firmes ao longo da entressafra, acompanhada de aumento da dependência brasileira de trigo importado.

No cenário internacional, as cotações do cereal apresentaram volatilidade nas últimas semanas. Na Bolsa de Chicago, os contratos chegaram a superar US$ 6,60 por bushel em maio, impulsionados pela seca nas planícies dos Estados Unidos, mas recuaram para US$ 5,86 por bushel em 11 de junho com a aproximação da colheita no Hemisfério Norte, a melhora das condições climáticas nos Estados Unidos e perspectivas mais favoráveis para a produção russa. Entre os principais produtores globais, o desempenho do trigo de inverno nos Estados Unidos segue abaixo do esperado, enquanto as lavouras de trigo de primavera apresentam evolução mais positiva. Na Rússia, houve melhora das condições das lavouras. A Ucrânia ainda enfrenta incertezas quanto ao potencial produtivo e às exportações. Na Argentina, a expectativa é de redução de área, embora a melhora da umidade e a redução gradual das tarifas de exportação possam estimular investimentos na próxima temporada. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.