16/Jun/2026
As incertezas relacionadas ao clima e à rentabilidade da cultura seguem reduzindo o interesse de produtores em ampliar os investimentos e a área destinada ao trigo no Brasil. As projeções oficiais, inclusive, já indicam queda significativa da produção nacional em 2026. Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgados em 11 de junho indicam que a produção brasileira de trigo deve alcançar 6,3 milhões de toneladas em 2026, volume 1,4% inferior ao projetado em maio/26 e fortes 20% abaixo da safra de 2025. A área cultivada pode totalizar 2,12 milhões de hectares, recuos de 1,1% em relação à estimativa anterior e de 13,4% em relação à temporada passada. A produtividade média é estimada em 2,974 toneladas por hectare, com quedas de 0,4% no comparativo mensal e de 7,6% em relação à safra anterior.
Ainda conforme a Conab, até 5 de junho, 45,3% da área destinada ao trigo na safra 2026 já havia sido semeada no Brasil. Os trabalhos de campo foram finalizados em Mato Grosso do Sul e em São Paulo, e chegaram a 99% em Goiás e Minas Gerais, 67% no Paraná, 60% na Bahia, 13% no Rio Grande do Sul e 2,4% em Santa Catarina. Quanto ao balanço de oferta e demanda, os estoques iniciais da temporada de 2026 estão projetados pela Conab em 1,753 milhão de toneladas. As importações devem atingir 6,81 milhões de toneladas, superando o volume produzido no País, gerando disponibilidade total de 14,86 milhões de toneladas. O consumo interno entre agosto/26 e julho/27 está estimado em 11,8 milhões de toneladas, enquanto os estoques finais podem atingir 1,49 milhão de toneladas em julho de 2027. Para a temporada 2026/27, a produção mundial de trigo está estimada pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) em 820,06 milhões de toneladas, apenas 0,12% superior ao projetado em maio/26.
Dentre os 16 principais países produtores, as estimativas permaneceram estáveis em 10, aumentaram em 3 e recuaram em outros 3. Porém, em relação à safra passada, a produção global deve cair 2,9%. O consumo mundial é estimado em 824,59 milhões de toneladas, com avanços de 0,16% frente à estimativa de maio/26 e de 0,1% em comparação com 2025/26. Os estoques finais devem somar 275,42 milhões de toneladas, alta de 0,14% no comparativo mensal, mas queda de 1,6% frente à temporada anterior. O comércio internacional é estimado em 211,95 milhões de toneladas. Para o Brasil, o USDA projeta que as importações voltarão a superar a produção doméstica em 2026/27, o que não ocorre desde 2020/21. A produção brasileira deve atingir 6,7 milhões de toneladas, enquanto o consumo interno é estimado em 12,5 milhões de toneladas.
Diante desse quadro, as importações podem alcançar 7,2 milhões de toneladas, ao passo que as exportações estão projetadas em 2 milhões de toneladas. No mercado brasileiro, os preços do trigo em grão seguem sustentados pela reduzida disponibilidade no mercado spot e pela postura retraída dos vendedores, que permanecem retendo o produto, à espera de melhores oportunidades de comercialização. Nos últimos sete dias, os preços no mercado de balcão registram avanço de 2,41% no Rio Grande do Sul, 1,56% em Santa Catarina e 0,23% no Paraná. No mercado de lotes (negociação entre empresas), há alta de 0,60% em São Paulo, de 0,53% no Paraná e de 0,24% no Rio Grande do Sul, mas, em Santa Catarina, os valores têm baixa de 0,38%. Nos Estados Unidos, os contratos futuros do trigo são impulsionados pela redução das estimativas de produção e de estoques finais para a safra norte-americana de 2026/27 divulgadas pelo USDA.
Além disso, as condições das lavouras de trigo de inverno continuam a se deteriorar. Segundo o USDA, até 7 de junho, apenas 25% das áreas estavam classificadas como boas ou excelentes, contra 54% no mesmo período do ano passado. Nesse contexto, o contrato Jul/26 do trigo Soft Red Winter negociado na Bolsa de Chicago tem alta de 0,8%, cotado a US$ 5,84 por bushel (US$ 214,77 por tonelada). Na Bolsa de Kansas, o contrato Jul/26 do trigo Hard Winter registra avanço de 2,2%, a US$ 6,34 por bushel (US$ 233,14 por tonelada). Na Argentina, conforme dados da Bolsa de Cereais de Buenos Aires, até 10 de junho, 44,2% da área prevista para a safra 2026/27 já havia sido semeada. A projeção de área permaneceu em 6,5 milhões de hectares. Os preços FOB do Ministério da Economia da Argentina permanecem estáveis nos últimos sete dias, a US$ 235,00 por tonelada. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.