12/Jun/2026
Segundo a Federação da Agricultura do Estado (Farsul), a dificuldade de crédito é um dos fatores que mais pesam na intenção de plantio do trigo no Rio Grande do Sul em 2026. O principal gargalo do setor é o financeiro. O calendário agrícola "normalmente joga contra a safra de trigo", visto que a cultura coincide com o encerramento do Plano Safra, período em que praticamente não há mais recursos disponíveis com taxas controladas. A falta de verba oficial empurra o produtor para taxas livres no sistema bancário, normalmente mais caras. O acesso ao crédito ficou mais difícil depois de quatro anos consecutivos de quebra de safra de soja no Rio Grande do Sul, em especial na metade sul do Estado, onde estão polos como São Borja, São Luís Gonzaga e Santo Ângelo, o que endividou o campo.
As margens dos produtores também estão comprometidas pelo seguro agrícola, que não contempla tudo o que os produtores precisam. As apólices privadas costumam garantir o equivalente a apenas 30 sacas de 60 Kg por hectare, enquanto o agricultor necessita de quase 60 sacas de 60 Kg por hectare para empatar o custo de produção. Quando o crédito rural é atrelado ao Proagro, seguro gerido pelo Banco Central, o custo se torna ainda mais impeditivo. A alíquota do Proagro para o trigo, chamada de prêmio, subiu de 12% em 2024 para até 23% em 2025 e 2026, sendo descontada diretamente no ato da contratação do crédito. Esse salto reflete uma estratégia do governo federal para conter os gastos com o programa, que atingiram R$ 9,405 bilhões em pagamentos de perdas em 2023.
O custo de até 23% do valor coberto inviabiliza o carregamento financeiro da lavoura. Diante do cerco bancário e do encarecimento das apólices rurais, uma parcela expressiva dos triticultores do Estado encontrou no mercado de barter, operação de troca direta de insumos pela produção futura com empresas privadas, uma alternativa para contornar o sistema financeiro e viabilizar as culturas de inverno. Esse cenário explica a forte migração da área de trigo para a canola no Estado, visto que as empresas oferecem pacotes fechados com travamento de custos e seguros corporativos diretos, garantindo maior previsibilidade de renda ao produtor. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.