09/Jun/2026
A semeadura de trigo segue avançando rapidamente no Brasil, favorecida pelas condições climáticas adequadas, que vêm resultando em boa umidade do solo, contribuindo para a germinação uniforme das sementes. Conforme dados divulgados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em 1º de junho, a semeadura alcançava 41,1% da área destinada à cultura no País e já havia sido finalizada em São Paulo e em Mato Grosso do Sul. No Paraná, segundo dados do Departamento de Economia Rural (Deral/Seab), até 1º de junho, 67% da área destinada ao trigo já havia sido semeada, com os trabalhos concluídos em diversas regiões. Das lavouras implantadas, 17% estavam em fase de germinação e 83%, em desenvolvimento vegetativo. Além disso, 99% das áreas estavam em boas condições.
No Rio Grande do Sul, conforme a Emater-RS, a semeadura avança gradualmente, a depender das condições de umidade do solo. De acordo com a Conab, até 29 de maio, o plantio havia atingido 9% da área prevista para cultivo no Estado. Os preços apresentaram comportamentos distintos dentre os Estados. No Paraná e em Santa Catarina, as cotações no mercado de balcão (preço pago ao produtor) permanecem praticamente estáveis, com agentes mais retraídos das negociações. No mercado de lotes (negociações entre empresas), por outro lado, há leve alta, impulsionada pela forte valorização do dólar. No Rio Grande do Sul, os mercados de balcão e de lotes registram comportamentos opostos.
No balcão, os preços pagos ao produtor têm avanço, diante das expectativas de redução da área cultivada e da produção, além das preocupações de produtores quanto às condições climáticas durante as fases de maturação e colheita da temporada de 2026. No mercado de lotes, as cotações são pressionadas especialmente pela concorrência com o trigo argentino, principal competidor do cereal nacional nas aquisições realizadas pelas moageiras do Rio Grande do Sul. Em São Paulo, os preços também estão pressionados, influenciados pela postura firme dos compradores, que, de modo geral, não aceitam os valores pedidos por vendedores. Assim, nos últimos sete dias, os preços de balcão permanecem estáveis no Paraná e em Santa Catarina, mas registram alta de 2,14% no Rio Grande do Sul.
No mercado de lotes, as altas são de 0,25% no Paraná e de 0,07% em Santa Catarina. No Rio Grande do Sul e em São Paulo, há quedas de 0,46% e de 0,43%, respectivamente. Conforme dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) em 3 de junho, chegaram aos portos brasileiros 593,64 mil toneladas de trigo em maio, volume 26% superior ao de abril/26, mas 7,2% inferior ao de maio de 2025. No acumulado dos últimos 12 meses, as compras brasileiras somaram 6,109 milhões de toneladas, 12,4% a menos do que o registrado no mesmo período do ano anterior. Em 2026, até maio, o volume importado alcança 2,308 milhões de toneladas, queda de 25,4% em relação ao mesmo intervalo de 2025. Quanto à origem do trigo adquirido, 75,9% vieram da Argentina, 18,8%, do Paraguai, 5,1%, da Rússia e o restante veio do Uruguai e do Líbano. O preço médio das importações foi de US$ 226,06 por tonelada. Considerando-se o dólar médio de R$ 4,98 em maio, o valor equivalente foi de R$ 1.126,91 por tonelada.
Nas bolsas norte-americanas, os preços do trigo são pressionados pelo início da colheita do trigo de inverno nos Estados Unidos e pelas expectativas de ampla oferta no Hemisfério Norte. Segundo dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), até 31 de maio, 5% da área destinada ao trigo de inverno havia sido colhida, com avanços nos estados de Arkansas, Califórnia, Carolina do Norte, Oklahoma e Texas. Apesar disso, as condições das lavouras seguem preocupando produtores. Apenas 26% das áreas estão classificadas como boas ou excelentes, enquanto 30% apresentam condição regular e 44% estão ruins ou muito ruins. Nos últimos sete dias, o contrato Jul/26 do trigo Soft Red Winter negociado na Bolsa de Chicago registra recuo de 5%, cotado a US$ 5,80 por bushel (US$ 213,11 por tonelada).
Na Bolsa de Kansas, o contrato Jul/26 do trigo Hard Winter tem baixa de 4,5% no mesmo período, a US$ 6,20 por bushel (US$ 228,09 por tonelada). Na Argentina, os preços também estão pressionados, acompanhando o avanço da semeadura. Conforme dados divulgados pela Bolsa de Cereais de Buenos Aires, até 3 de junho, 32,4% da área projetada para a safra 2026/27 já havia sido semeada. A área prevista para cultivo permanece estimada em 6,5 milhões de hectares, e a boa umidade do solo vem favorecendo o ritmo dos trabalhos. Os preços FOB divulgados pelo Ministério da Economia da Argentina apresentam queda de 4,1% nos últimos sete dias, a US$ 235,00 por tonelada. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.