01/Jun/2026
O mercado brasileiro de trigo segue sustentado pela escassez de lotes com qualidade industrial superior e pelo elevado custo de reposição do cereal importado, cenário que mantém o viés de alta nas cotações e leva os moinhos a anteciparem posições de compra para os próximos meses. No Paraná, os negócios para trigo disponível são reportados entre R$ 1.480,00 e R$ 1.500,00 por tonelada CIF, com entrega e pagamento em julho. O trigo argentino colocado nos moinhos paranaenses chega a aproximadamente R$ 1.600,00 por tonelada CIF, o que mantém espaço adicional para valorização do cereal nacional. Os moinhos já apresentam cobertura para junho e concentram as aquisições para julho. No Rio Grande do Sul, o mercado segue estável, mas com demanda contínua por trigo de melhor qualidade.
As indicações de venda no interior variam entre R$ 1.350,00 e R$ 1.400,00 por tonelada FOB, enquanto os moinhos sinalizam valores entre R$ 1.420,00 e R$ 1.450,00 por tonelada CIF para embarques a partir da segunda quinzena de junho e julho. O trigo argentino nacionalizado em Porto Alegre, incluindo frete até os moinhos, varia entre R$ 1.570,00 e R$ 1.600,00 por tonelada CIF, funcionando como referência máxima para o mercado doméstico. No mercado futuro, a liquidez permanece reduzida. Os moinhos indicam preços entre R$ 1.100,00 e R$ 1.170,00 por tonelada FOB para a safra nova, enquanto produtores demonstram cautela diante dos riscos climáticos e das incertezas sobre a qualidade da produção.
A paridade de exportação próxima de R$ 1.100,00 por tonelada FOB, ou US$ 250,00 por tonelada, limita a atratividade econômica da cultura e reduz os incentivos para investimentos em tecnologia. Para a safra 2026, a redução de área plantada e do uso de tecnologia já é observada principalmente na Região Sul do País. Os elevados custos da ureia e as preocupações climáticas relacionadas ao possível retorno do El Niño levaram produtores a migrarem áreas para culturas como canola e aveia. Apesar desse cenário, os produtores que conseguirem manter trigo de qualidade superior poderão encontrar ambiente mais favorável em 2027, diante da expectativa de aumento da necessidade de importações, inclusive de origens fora do Mercosul, como os Estados Unidos, cujo trigo apresenta custo superior ao argentino. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.