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19/May/2026

Preços do trigo seguem em alta no mercado interno

A produção de trigo deve recuar tanto no Brasil quanto no mundo na safra 2026/27. Segundo dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), em termos globais, a produção deve cair 2,9% frente à temporada 2025/26, enquanto os estoques de passagem podem recuar 1,5%. No Brasil, as estimativas também indicam menor oferta, em meio à redução da área cultivada e da produtividade. O USDA aponta que a produção mundial de trigo está estimada em 819,063 milhões de toneladas em 2026/27, com retrações previstas para União Europeia, Estados Unidos, Rússia, Canadá, Austrália, Ucrânia, Argentina e Cazaquistão. Em contrapartida, China, Índia, Paquistão, Turquia, Irã, Reino Unido, Egito e Marrocos devem ampliar a produção. O consumo global é projetado em 823,23 milhões de toneladas, estável (-0,04%) frente à safra anterior, enquanto os estoques finais devem recuar 1,5%, levando a relação estoque/consumo para 33,4%.

O comércio internacional pode atingir 214,11 milhões de toneladas, volume 4,6% inferior ao da temporada passada. Na Argentina, principal fornecedora do cereal ao Brasil, a produção está estimada em 21 milhões de toneladas, expressiva redução de 24,8% em relação à temporada passada. Desse total, 14,5 milhões devem ser destinados às exportações, o que, se confirmado, implicaria em queda de 21,6% no mesmo comparativo. A Bolsa de Cereais de Buenos Aires projetou área cultivada de 6,5 milhões de hectares na safra 2026/27, retração de 3% frente à temporada anterior. A produção argentina está estimada em 21,3 milhões de toneladas, queda de 23,4% em relação à safra passada. Para o Brasil, o USDA projeta área colhida de 2,3 milhões de hectares em 2026/27, baixa de 6% em relação à safra anterior. A produção deve recuar 14,9%, para 6,7 milhões de toneladas, enquanto o consumo doméstico pode crescer 1,2%, para 12,5 milhões de toneladas.

Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção brasileira de trigo em 2026 foi revisada para 6,38 milhões de toneladas, 18,9% abaixo da safra de 2025, refletindo principalmente a menor área no Paraná e no Rio Grande do Sul. A área nacional deve somar 2,14 milhões de hectares, redução de 12,5% frente à temporada passada, enquanto a produtividade média está estimada em 2.985 Kg por hectare, queda de 7,3% no comparativo anual. Ainda no Brasil, os estoques iniciais da temporada 2026 estão projetados em 1,637 milhão de toneladas, enquanto as importações devem atingir 6,96 milhões de toneladas, superando a produção nacional. Com isso, os suprimentos totais podem somar 14,98 milhões de toneladas. Já o consumo interno entre agosto/26 e julho/27 é estimado pela Conab em 11,8 milhões de toneladas, e os estoques finais devem alcançar 1,67 milhão de toneladas em julho de 2027.

No campo, até 8 de maio, 17,5% da área destinada ao trigo no Brasil já havia sido semeada, segundo a Conab. No Paraná, dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Deral/Seab) apontam que 35% da área prevista já foi implantada, com 100% das lavouras em boas condições. No Rio Grande do Sul, os produtores seguem preparando as áreas, mas há tendência de redução da área cultivada diante do aumento dos custos, das restrições de crédito e das limitações no seguro agrícola. Os valores do trigo seguem em alta, sustentados pela postura retraída de vendedores e pela consequente restrição de oferta. Nos últimos sete dias, os preços no mercado de balcão (preço pago ao produtor) registram avanço de 1,81% no Rio Grande do Sul, 1,55% no Paraná e 0,27% em Santa Catarina. No mercado de lotes (negociação entre empresas), os aumentos são de 2,34% em São Paulo, 2,19% em Santa Catarina, 0,84% no Paraná e 0,65% no Rio Grande do Sul.

No mercado externo, os preços estão em alta nas bolsas norte-americanas, impulsionados pelas condições desfavoráveis das lavouras de trigo de inverno nos Estados Unidos e pelos estoques abaixo do esperado. Segundo o USDA, apenas 28% das lavouras estavam em boas ou excelentes condições até 11 de maio, enquanto 71% da área cultivada enfrentava algum nível de estiagem até 12 de maio. Nos últimos sete dias, o contrato Jul/26 do trigo Soft Red Winter negociado na Bolsa de Chicago tem alta de 2,7%, para US$ 6,35 por bushel (US$ 233,60 por tonelada), enquanto o trigo Hard Winter na Bolsa de Kansas apresenta avanço de 1,8%, a US$ 6,88 por bushel (US$ 252,80 por tonelada). Os preços FOB divulgados pelo Ministério da Economia da Argentina têm avanço de 1,7% nos últimos sete dias, a US$ 236,00 por tonelada. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.