12/May/2026
A semeadura de trigo já começou na Região Sul do País, principal produtora nacional, especialmente no Paraná, mas o ritmo dos trabalhos ainda é lento. Ao mesmo tempo, os preços seguem em alta no mercado doméstico, sustentados pela retração vendedora e pela preferência de compradores pelo produto nacional diante das dificuldades relacionadas à qualidade do trigo importado da Argentina. Segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), até 1º de maio, apenas 5% da área destinada ao trigo no Paraná havia sido semeada, percentual inferior aos 14% registrados no mesmo período do ano passado e abaixo da média dos últimos cinco anos, de 15,4%. No cenário nacional, a área semeada alcançava 9,9% até a mesma data, frente aos 13,1% observados no mesmo período de 2025 e aos 13% da média quinquenal.
De acordo com o Departamento de Economia Rural (Deral/Seab), mesmo com a recente recuperação dos preços pagos ao produtor, o cenário ainda não tem sido suficiente para atrair os produtores do Paraná a investirem na cultura, influenciados também pelos altos custos de produção. Assim, a tendência de redução da área semeada no estado permanece. No mercado doméstico, os preços seguem em elevação, refletindo a postura retraída dos vendedores, que, diante da oferta remanescente da safra 2025 limitada, adiam as negociações à espera de valores mais elevados. Do lado comprador, a preferência continua sendo pelo produto nacional, tendo em vista as dificuldades relacionadas à qualidade dos grãos importados da Argentina. Nos últimos sete dias, no mercado de balcão (preço pago ao produtor), os preços apresentam alta de 2,29% em Santa Catarina, 2,21% no Rio Grande do Sul e 0,34% no Paraná. No mercado de lotes (negociação entre empresas), as altas são de 2,64% em São Paulo, 1,39% no Rio Grande do Sul, 0,45% em Santa Catarina e de 0,26% no Paraná.
Dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que o Brasil importou 473 mil toneladas de trigo em abril, volume 10% inferior ao de março/26 e 6,3% menor que o de abril de 2025. No acumulado dos últimos 12 meses, as importações somam 6,157 milhões de toneladas, queda de 12% frente ao mesmo período do ano anterior. Do total importado em abril, 81,9% tiveram origem na Argentina, 17,9%, no Paraguai e 0,2% vieram do Uruguai. O preço médio das importações foi de US$ 218,57 por tonelada, o equivalente a R$ 1.099,83 por tonelada, considerando-se dólar médio de R$ 5,03 em abril. As exportações brasileiras, por sua vez, perderam ritmo em abril. Foram embarcadas 31,8 mil toneladas no mês, tendo o Vietnã como principal destino. O preço médio das exportações foi de US$ 230,44 por tonelada, o equivalente a R$ 1.159,56 por tonelada, considerando-se também o câmbio médio de R$ 5,03.
No mercado externo, os preços internacionais do trigo estão pressionados pela liquidação de posições compradas e pela retirada do prêmio de risco geopolítico, em meio a especulações sobre um possível acordo entre os Estados Unidos e o Irã para encerrar a guerra. Além disso, houve leve melhora nas condições das lavouras de trigo de inverno nos Estados Unidos. Na Bolsa de Chicago, o contrato Maio/26 do trigo Soft Red Winter registra recuo de 2,7% nos últimos sete dias, a US$ 6,07 por bushel (US$ 223,22 por tonelada). Na Bolsa de Kansas, o contrato Maio/26 do trigo Hard Winter tem baixa de 1,5%, a US$ 6,72 por bushel (US$ 247,10 por tonelada). Apesar da melhora pontual nas condições das lavouras norte-americanas, a falta de umidade ainda preocupa produtores. Conforme o Monitor de Seca dos Estados Unidos, até 5 de maio, 70% da área cultivada estava sob algum nível de seca, percentual bem acima dos 22% registrados no mesmo período de 2025. Na Argentina, os preços FOB divulgados pelo Ministério da Economia apresentam baixa de 1,3% nos últimos sete dias, a US$ 232,00 por tonelada. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.