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12/May/2026

Brasil: redução de área e menor uso de tecnologia

Segundo o Itaú BBA, as margens apertadas para a cultura do trigo devem limitar os investimentos em tecnologia e reduzir a área plantada na safra 2026 no Brasil. O cenário é influenciado pelo elevado custo de produção, especialmente dos fertilizantes, e pelos preços ainda pressionados do cereal diante do balanço global confortável e da forte concorrência externa. No mercado internacional, o trigo apresentou recuperação em abril. As cotações na Bolsa de Chicago avançaram 10% no mês, encerrando com média de US$ 5,69 por bushel. O movimento foi impulsionado pela piora das condições das lavouras na Rússia e nos Estados Unidos em razão do clima seco, além das incertezas relacionadas à continuidade do conflito na região do Mar Negro. No Brasil, os preços acompanharam o movimento externo. No Paraná, o trigo encerrou abril cotado a R$ 66,00 por saca de 60 Kg, mantendo trajetória de recuperação ao longo do mês, embora ainda abaixo dos níveis observados em igual período de 2025.

O mercado doméstico segue em ambiente típico de entressafra, com oferta bastante restrita e baixo volume disponível para comercialização. Nesse contexto, a formação de preços passou a ser determinada principalmente pela paridade de importação, tendo o trigo externo como principal referência para a indústria moageira. A valorização do Real frente ao dólar atuou como fator moderador, reduzindo o potencial de altas mais intensas no mercado interno, mesmo diante da menor disponibilidade doméstica e do suporte vindo do exterior. Apesar da recuperação das cotações, o poder de compra do produtor continua deteriorado devido à valorização mais forte dos insumos agrícolas. A relação de troca permanece desfavorável, especialmente para fertilizantes como ureia e MAP, levando produtores a adotarem postura mais defensiva na condução da próxima safra.

Esse cenário já começa a impactar decisões de plantio, principalmente na Região Sul do País. Os produtores tendem a reduzir o pacote tecnológico e limitar a expansão de área. No Paraná, o plantio já começou em algumas regiões, enquanto no Rio Grande do Sul o foco permanece nas janelas ideais de semeadura. O fluxo de importações do Mercosul continua balizando os preços nas regiões consumidoras, restringindo o espaço para valorizações mais expressivas no mercado brasileiro. Para os próximos meses, o clima será fator decisivo para o desenvolvimento da safra. A possível formação do fenômeno El Niño aumenta as incertezas quanto ao regime de chuvas no Sul do País durante as fases de desenvolvimento e colheita. O banco alerta que o excesso de precipitações pode afetar tanto a produtividade quanto a qualidade do cereal, especialmente no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.