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11/May/2026

M.Dias Branco: resultados do 1º trimestre de 2026

A fabricante de alimentos M.Dias Branco apresentou lucro líquido de R$ 106,3 milhões no primeiro trimestre do ano. O resultado é 53,2% maior na comparação com igual período do ano passado, quando a empresa reportou lucro líquido de R$ 69,4 milhões. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) atingiu R$ 195,9 milhões, avanço de 21,8% frente aos R$ 160,9 milhões do primeiro trimestre de 2025. A margem Ebitda ficou em 8,8%, ante 7,3% um ano antes, queda de 1,5 ponto porcentual em um ano. A alavancagem da empresa (relação entre dívida líquida e Ebitda) ficou em 0,6 vez, ante 0,1 vez em igual período de 2025. Já a receita líquida avançou 0,4% na mesma base comparativa, alcançando R$ 2,217 bilhões, ante R$ 2,208 bilhões do primeiro trimestre de 2025. O volume comercializado atingiu 407,5 mil toneladas no período, avanço de 3,4%. No 1º trimestre de 2026, a receita líquida de produtos principais da empresa (biscoitos, massas e margarinas) cedeu 0,9%, para R$ 1,667 bilhão, ante R$ 1,682 bilhão na comparação anual.

A M.Dias informou, em documento, que a retração nos volumes e unidades vendidas no segmento decorre de um ambiente de consumo mais retraído, com queda na confiança dos consumidores e elevado nível de endividamento das famílias. “Observamos um varejo mais conservador nas decisões de compra, principalmente nos dois primeiros meses do ano”, destacou. Ainda assim, a empresa informou que houve ganho de participação de mercado de 1,9% na categoria de biscoitos. A receita líquida do segmento de moagem e refino de óleos (farinhas, farelo e gorduras industriais) avançou 2,8%, para R$ 428,8 milhões. Já o segmento de adjacências (bolos, snacks, misturas para bolos, torradas, saudáveis, molhos e temperos) teve receita líquida 10,4% superior, de R$ 121,1 milhões. O preço médio de todas as categorias caiu 2,9% na comparação anual dos trimestres, de R$ 5,60 por quilo para R$ 5,40 por quilo. Na comparação com o trimestre anterior, houve queda de 4,9% no preço médio dos produtos. No último trimestre, a empresa investiu R$ 171,7 milhões, 90,6% mais que em igual intervalo de 2025, quando havia investido R$ 90 milhões. Do montante, 72,8% foram para manutenção e 27,2% destinados à expansão.

Os principais aportes foram em projetos de otimização e renovação de parque fabril e iniciativas de eficiência energética e automação industrial, com foco em redução de custos, aumento de produtividade e maior eficiência operacional, inicialmente na categoria de biscoitos. A M.Dias Branco conseguiu encerrar o primeiro trimestre de 2026 com ganhos de participação de mercado mesmo em um cenário de retração no consumo nacional de biscoitos e massas. O diretor de Relações com Investidores da companhia, Fábio Cefaly, explicou que a empresa obteve um desempenho superior à média do setor por causa de uma reestruturação na área comercial focada em execução e no desempenho de categorias de maior valor agregado. O executivo afirmou que a M.Dias também sentiu os efeitos da retração do mercado, mas a queda no volume de vendas do segmento de biscoitos no primeiro trimestre foi menor. “Ou seja, temos uma parcela maior numa torta que ficou menor”, disse Cefaly. O executivo atribuiu o movimento a um conjunto de fatores macroeconômicos que pressionam a renda das famílias, como a inflação acumulada de alimentos nos últimos anos e o elevado nível de endividamento dos consumidores.

Cefaly destacou que o varejo se mostrou mais conservador nas decisões de compra, principalmente nos dois primeiros meses do ano. “Em comparação com o último trimestre de 2025, essa redução também se deve à sazonalidade histórica, com férias escolares e feriados no início do ano.” Para sustentar os volumes, a M. Dias Branco promoveu campanha nacional de vendas para o consumidor final, o que resultou em crescimento de 1,9% no segmento de biscoitos e na manutenção em massas. Mesmo com a retração de 0,9% na receita líquida dos produtos principais (biscoitos, massas e margarinas), o lucro líquido da companhia saltou 53,2% na comparação anual, para R$ 106,3 milhões, e o Ebitda avançou 21,8%. Cefaly ponderou que a queda no preço médio geral dos produtos no trimestre reflete mudança no mix de vendas. O executivo explicou que o segmento de farinhas teve um desempenho forte no período. “Só que a farinha tem um preço médio menor que o de biscoito. Não é ruim vender mais farinha, mas também quero vender mais biscoito.”

Dentro do portfólio, a marca Piraquê foi um dos destaques positivos, com crescimento de 10% em relação ao primeiro trimestre do ano passado e ganho de market share. O diretor de RI ressaltou que, nas categorias de saudáveis, a marca Fit Food dobrou de tamanho e a Jasmine ampliou sua participação em 6,7%, reforçando a estratégia da empresa de diversificar para mercados com maior valor agregado. Quanto aos custos, a M.Dias Branco foi beneficiada pela queda nos preços do trigo e pela apreciação do real, embora o preço do óleo de palma tenha subido. No entanto, Cefaly alertou que a instabilidade geopolítica no Oriente Médio trouxe um novo fator de pressão: o custo logístico. O executivo afirmou que o impacto do conflito é inevitável sobre o preço do diesel, o que encarece o frete de insumos, o transporte entre unidades fabris e a entrega final aos varejistas. “Em algum momento isso irá nos afetar; é inevitável.” A estrutura de capital da fabricante foi destacada pelo executivo como um ponto de resiliência. A companhia encerrou março com uma posição de caixa líquido de R$ 688 milhões, indicando que possui mais recursos em caixa do que dívidas totais.

Cefaly reforçou que, embora o cenário para a renda do consumidor continue sendo a variável mais preocupante para o setor de alimentos em 2026, a M.Dias Branco mantém seu plano de expansão gradual de margens. A M.Dias Branco acompanha o endividamento das famílias como fator determinante para o cumprimento das metas em 2026. Fábio Cefaly, afirmou que, embora a fabricante opere em categorias historicamente resilientes, como massas e biscoitos, o desempenho do setor está intrinsecamente ligado à capacidade de consumo imediata da população. Ao contrário do setor de bens duráveis, como eletrodomésticos, que dependem diretamente de ciclos de crédito e parcelamentos, Cefaly contou que os produtos da empresa são itens de consumo corrente que sentem o impacto direto da inflação acumulada e do comprometimento da renda familiar com outras atividades econômicas. Para o executivo, não há uma única variável macroeconômica isolada que preocupe a gestão, mas sim um conjunto de fatores que convergem para a pressão sobre o poder de compra.

No entanto, Cefaly ponderou que a natureza do portfólio da M.Dias Branco oferece uma proteção relativa, já que são produtos que o consumidor não costuma abandonar, mas sim adaptar a frequência ou o mix de compra. Apesar do cenário macroeconômico desafiador, o diretor de RI sinalizou otimismo para o curto prazo. Cefaly aposta no estímulo adicional da Copa do Mundo, a partir de junho. “É um evento que, acho, pode estimular o consumo de algumas categorias, como biscoitos e snacks.” Outro pilar estratégico reforçado pelo executivo é a expansão no segmento de produtos saudáveis. Questionado sobre as mudanças de hábitos de consumo e a crescente tendência de busca por dietas de baixo valor calórico, Cefaly confirmou que a M.Dias Branco está atenta a esses movimentos e segue investindo fortemente nas marcas Jasmine e Fit Food. “É uma tendência e, ao mesmo tempo, uma forma de complementar o nosso portfólio." A estratégia da empresa envolve o fortalecimento do portfólio de itens com proteína, opções menos calóricas, biscoitos de arroz e granolas.

A M. Dias Branco está redesenhando sua estratégia de crescimento para ir além da expansão populacional e compensar a saturação das categorias tradicionais de massas e biscoitos, que já tem penetração superior a 93% nos lares brasileiros. Durante teleconferência de resultados do primeiro trimestre de 2026 com analistas e investidores, realizada hoje, o vice-presidente de Investimentos e Controladoria da companhia, Gustavo Theodozio, afirmou que a grande aposta para garantir crescimento relevante reside no segmento de adjacências, que engloba snacks e produtos saudáveis. Segundo o executivo, essa estratégia já mostra resultados. "A entrada em novas categorias é algo relevante para que a empresa não cresça apenas junto com o crescimento populacional", explicou Theodozio. Dentro desse pilar, a companhia tem focado na nacionalização de processos para tornar os produtos mais acessíveis ao bolso do consumidor em tempos de renda restrita.

Um exemplo citado por Theodozio foi a produção de tortilhas da marca Jasmine, que anteriormente eram importadas da Bélgica em embalagens grandes, o que elevava o desembolso final. Com a aquisição de maquinário próprio no Brasil, a empresa passou a fabricar o item localmente com maior flexibilidade. "Isso fazia com que o desembolso do consumidor brasileiro fosse muito grande. Com a flexibilidade das máquinas, começamos a fazer embalagens menores, melhorando esse desembolso", pontuou o vice-presidente. Além disso, a empresa expandiu a marca Fronteira para o mercado de batatas e reforçou a linha de pães sem glúten com novas embalagens que permitem o reuso, visando retomar a liderança do segmento. Outra mudança estrutural profunda diz respeito ao modelo comercial da fabricante, que migrou da lógica de venda para o varejista para a venda do varejista para o consumidor final. Theodozio explicou que a empresa agora trabalha com foco em sortimento e execução em loja para garantir que o produto saia da gôndola.

"Evitamos aquelas negociações com grandes descontos e volumes que depois geram problemas de validade e troca. O modelo agora é muito mais eficiente e direcionado para o consumidor", afirmou. Fábio Cefaly, acrescentou que essa mudança traz previsibilidade à operação fabril e logística. "À medida que temos uma execução focada no consumidor final, evitamos picos e vales na nossa operação, o que traz benefícios tanto na receita quanto na margem", disse Cefaly. Mesmo na categoria de biscoitos, a M. Dias Branco prepara uma estratégia para reativar o consumo. Theodozio revelou que a companhia lançará uma campanha publicitária para itens básicos. "Quando a categoria cai, como a M. Dias tem um terço do mercado, nós sofremos mais. Achamos que dá para incentivar o consumo de itens mais básicos que estavam adormecidos", justificou. Paralelamente, inovações de maior valor agregado, como massas caseiras e novos cookies, seguem no cronograma de lançamentos para elevar a margem média da companhia.

A M. Dias Branco projeta um aumento na pressão de custos para o segundo semestre de 2026, impulsionado pela alta das commodities e, principalmente, pela elevação dos preços dos combustíveis, em virtude dos efeitos da guerra no Irã. Durante teleconferência com analistas sobre os resultados do primeiro trimestre, realizada hoje, o vice-presidente de Investimentos e Controladoria da fabricante, Gustavo Theodozio, afirmou que a companhia deve anunciar, de forma fracionada, novas tabelas de preços para o mercado, com objetivo de se antecipar a reversão da curva de inflação de custos. Segundo o executivo, o monitoramento logístico no centro de distribuição da empresa em Bento Gonçalves (RS) já detectou um incremento relevante no custo do diesel no último mês, fator que deve causar impacto no balanço nos próximos meses. Apesar da pressão logística e das commodities, Theodozio pontuou que a valorização do Real frente ao dólar tem atuado como um importante mecanismo de compensação para a companhia.

"O aumento das commodities e do frete versus a valorização do real ajuda um pouco, mas a gente pode esperar sim um aumento de custo no segundo semestre", explicou. O executivo também destacou que a instabilidade geopolítica entre Estados Unidos e Irã traz preocupações adicionais não apenas pelo combustível, mas pelo impacto no preço dos fertilizantes, como a ureia. “Isso gera um efeito cascata no agronegócio, especialmente nas lavouras de trigo do Paraná e do Rio Grande do Sul, embora a boa produtividade esperada para as safras da Rússia e dos Estados Unidos possa oferecer algum alívio na oferta global”, disse Theodozio. Neste cenário, a M. Dias Branco continua apostando na estratégia comercial. Theodozio detalhou que a principal mudança foi a adoção de um modelo de precificação mais dinâmico e amparado em dados semanais.

"A nossa política está muito mais ágil. Estamos fracionando mais as tabelas e monitorando semanalmente a movimentação dos competidores por região, categoria e canal", disse. Questionado sobre a tradicional estratégia da companhia de carregar estoques mais altos em comparação com os concorrentes, o vice-presidente afirmou que a M. Dias Branco não pretende alterar esse modelo. Para o Theodozio, a manutenção de estoques estratégicos e o monitoramento via comitês mensais, com a participação de consultores externos, têm se mostrado eficazes para surfar as variações das commodities no longo prazo. "Entendemos que estamos no caminho certo e não temos intenção de modificar nossa estratégia de estoque e hedge", destacou. Para o executivo, a combinação entre robustez física e a agilidade na precificação devem garantir a competitividade da empresa na segunda metade do ano. Fonte: Broadcast Agro.