05/May/2026
Os preços do trigo em grão consolidaram um movimento de recuperação em abril. Esse avanço ocorre em um contexto de restrição de oferta e baixa liquidez, características típicas do período de entressafra. Os vendedores estão retraídos, limitando a oferta no mercado spot à espera de melhores condições de comercialização. Esse comportamento, somado à menor disponibilidade interna, mantém o ritmo de negócios reduzido. Do lado da demanda, os compradores com necessidade imediata acabam cedendo às cotações mais elevadas. Nos últimos sete dias, os preços no mercado de balcão (preço pago ao produtor) registram avanço de 1,83% no Rio Grande do Sul, 0,55% em Santa Catarina e 0,13% no Paraná. No mercado de lotes (negociação entre empresas), as elevações são de 1,57% em Santa Catarina, 0,69% no Paraná e 0,64% no Rio Grande do Sul. Em São Paulo, os preços permanecem estáveis.
No acumulado de abril, o preço médio no Paraná foi de R$ 1.317,92 por tonelada, aumento de 6,9% frente a março, mas ainda 14,4% abaixo do registrado em abril/25, em termos reais (valores deflacionados pelo IGP-DI de março/26). No Rio Grande do Sul, a média atingiu R$ 1.208,20 por tonelada (o maior patamar desde setembro/25), com alta de 9,3% no mês, mas 16,5% inferior ao de um ano atrás. Em São Paulo, o preço médio foi de R$ 1.394,77 por tonelada em abril, avanço de 4,7% no comparativo mensal e o maior desde agosto/25; porém, com recuo anual de 15,1%. Em Santa Catarina, a média foi de R$ 1.235,04 por tonelada, a maior desde outubro/25, elevação de 2,4% no mês, mas 15,1% abaixo do observado em abril/25, em termos reais (deflacionados pelo IGP-DI de março/26). No cenário internacional, os preços também avançaram em abril, impulsionados por preocupações climáticas nos Estados Unidos. A baixa umidade nas regiões produtoras tem prejudicado o desenvolvimento do trigo de inverno.
Segundo o Monitor de Seca dos Estados Unidos, até 28 de abril, 69% da área cultivada estava sob algum nível de seca, frente a 32% no mesmo período de 2025. Dados divulgados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) em 27 de abril indicam que 30% das lavouras de trigo de inverno apresentavam condições entre boas e excelentes, estáveis na comparação semanal, mas 19% abaixo do observado há um ano. Nesse contexto, nos últimos sete dias, o contrato Maio/26 do trigo Soft Red Winter na Bolsa de Chicago tem alta de 2,7%, cotado a US$ 6,24 por bushel (US$ 229,46 por tonelada). Na Bolsa de Kansas, o contrato Maio/26 do trigo Hard Winter apresenta avanço de 3,6% no mesmo comparativo, a US$ 6,82 por bushel (US$ 250,78 por tonelada). Na média mensal, os preços também avançaram. Em abril, o primeiro vencimento na CME Group apresentou média de US$ 6,01 por bushel (US$ 220,97 por tonelada), altas de 1,2% frente a março e de 12,4% em relação a abril/25. Em Kansas, a média do mesmo vencimento foi de US$ 6,34 por bushel (US$ 233,18 por tonelada), avanços de 4,5% no mês e de 15,3% no comparativo anual.
Na Argentina, os preços FOB também estão em alta, alcançando US$ 235,00 por tonelada. Na média mensal de abril, houve alta de 6% frente a março/26, embora ainda com recuo de 8,1% na comparação anual, com média de US$ 227,95 por tonelada. De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), até a quarta semana de abril (16 dias úteis), o Brasil importou 369,86 mil toneladas de trigo, abaixo das 505,02 mil toneladas registradas em todo o mês de abril/25. A média diária de importações foi de 23,11 mil toneladas, 8,5% inferior à do mesmo período do ano passado. O preço médio de importação foi de US$ 219,30 por tonelada FOB origem, 7% abaixo do observado em abril/25. As exportações somaram 34 mil toneladas no mesmo período (até a quarta semana de abril), frente a 101,45 mil toneladas em abril/25, com preço médio de US$ 224,00 por tonelada, queda de 2,2% na comparação anual. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.