27/Apr/2026
O mercado físico de trigo apresenta baixa liquidez no fim de abril, com negociações pontuais e trajetória de alta nos preços, sustentadas pela escassez de grãos com qualidade industrial adequada às exigências da moagem. O principal fator de sustentação das cotações é o descompasso entre a oferta disponível e a demanda dos moinhos por trigo com maior força de glúten e estabilidade, características essenciais para a panificação. Nesse contexto, os lotes remanescentes de melhor qualidade passam a ser mais disputados, elevando os preços no Paraná e no Rio Grande do Sul. No Paraná, a oferta é considerada extremamente restrita. As indicações nos moinhos alcançam R$ 1.400,00 por tonelada CIF, para entrega em maio e pagamento em junho. No norte do Estado, os valores chegam a R$ 1.450,00 por tonelada na indústria.
Em comparação com o período recente, observa-se forte valorização, com referências que evoluíram de cerca de R$ 1.150,00 por tonelada para uma faixa mínima entre R$ 1.350,00 e R$ 1.400,00 por tonelada. O abastecimento também enfrenta limitações no mercado externo. O trigo paraguaio apresenta problemas fitossanitários, enquanto o produto argentino registra qualidade inferior ao esperado, o que amplia o prêmio pelo trigo nacional de maior padrão. Para a próxima safra, as projeções indicam aumento do risco climático, especialmente diante de um cenário associado ao El Niño, com possibilidade de chuvas excessivas. A expectativa de redução de área plantada e de comprometimento da qualidade do grão pode restringir ainda mais a oferta de trigo com padrão industrial, elevando a dependência de importações de origens fora do Mercosul, como Estados Unidos e Canadá.
No Rio Grande do Sul, abril foi marcado por baixa liquidez e preços firmes. Na região de Vacaria, a demanda por trigos de alta proteína gerou negócios pontuais de até R$ 1.350,00 por tonelada FOB. Embora parte dos moinhos já esteja abastecida para maio e, em alguns casos, até junho, a valorização gradual dos preços começa a se consolidar no mercado. A expectativa é de que, com o avanço da colheita da safra de verão (1ª safra 2025/2026) em maio, haja maior clareza na formação de preços e no ritmo dos embarques. No mercado internacional, o trigo argentino é cotado em torno de US$ 285,00 por tonelada CIF, com teores de proteína entre 10,5% e 11,5%. Apesar da recente valorização do Real, a redução da oferta interna no Brasil tende a elevar a demanda por importações, sustentando as cotações externas nos próximos meses. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.