24/Apr/2026
A indústria brasileira de trigo projeta recorde de importações em 2026, em um cenário marcado pela redução da área plantada, elevação dos custos logísticos e necessidade de ajustes técnicos na composição de blends industriais. O ambiente indica continuidade dos repasses de custos para a farinha ao longo do ano, com objetivo de recomposição de margens. No Paraná, principal Estado produtor, a demanda por importação deve alcançar 1,3 milhão de toneladas no próximo ciclo para atender o parque moageiro, conforme estimativas da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo). A retração da produção nacional é um dos principais fatores de pressão, com redução acumulada de 40% na área plantada nos últimos quatro anos e previsão de nova queda de 15% na safra atual. O desestímulo ao cultivo está associado a margens reduzidas, concorrência com culturas de inverno, como milho e cevada, além do aumento dos custos de insumos, especialmente fertilizantes.
A limitação de capacidade de armazenagem também reduz a flexibilidade de comercialização por parte dos produtores. O aumento do déficit produtivo reforça a necessidade estrutural de importação, não apenas para suprimento, mas também para ajuste de qualidade e formação de estoques. O Brasil opera como tomador de preços no mercado internacional, com cotações internas influenciadas pela paridade de importação e pela dinâmica de grandes exportadores, como Rússia e Argentina. A qualidade da safra argentina adiciona complexidade ao abastecimento, com irregularidades em parâmetros como proteína e força de glúten, exigindo o uso de trigos melhoradores para manter o padrão industrial. Parte desse ajuste é realizada com produção nacional, mas a necessidade de importação de origens mais distantes, como Estados Unidos e Canadá, eleva significativamente os custos devido ao frete marítimo. Os custos operacionais também seguem em alta. A logística interna registrou aumentos entre 17% e 20% em um ano, impulsionada pela elevação do diesel e ajustes na tabela de fretes.
Insumos derivados de petróleo, como embalagens, tiveram alta de cerca de 25% em apenas 30 dias, influenciados pelo cenário geopolítico internacional. Diante desse contexto, os repasses de preços da farinha, iniciados em março, tendem a se estender de forma gradual até setembro, refletindo a necessidade de recomposição das margens da indústria. A sensibilidade do consumo limita a intensidade dos reajustes, mas o aumento de custos ao longo da cadeia sustenta o movimento. Como estratégias de mitigação, o setor tem ampliado investimentos em eficiência operacional, integração com produtores e gestão de estoques, além de buscar avanços em Pesquisa e Desenvolvimento para padronização de blends e redução da dependência de importações de longa distância. A adoção de tecnologias e soluções de gestão é vista como fator relevante para manutenção da competitividade em um cenário de maior volatilidade. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.