22/Apr/2026
A perspectiva de redução significativa na produção nacional de trigo em 2026 (o volume pode ser o menor desde 2020) tem sustentado os preços internos do cereal. Neste mês, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) revisou os dados de oferta e demanda para a temporada de 2026 e, embora tenha elevado a estimativa de área em Minas Gerais, reduziu significativamente a projeção para o Rio Grande do Sul. Com isso, a área nacional deve somar 2,22 milhões de hectares, queda de 9,2% em relação a 2025. A produtividade média é estimada em 2.979 Kg por hectare (-7,5%), resultando em produção de 6,6 milhões de toneladas, 16% inferior à da safra anterior, redução de mais de 1,2 milhão de toneladas.
Esse cenário reflete, em parte, a baixa rentabilidade observada nas últimas safras, somada às incertezas climáticas e aos riscos de comercialização. Além disso, desde o segundo semestre de 2025, os preços na Região Sul do País vêm sendo negociados abaixo dos patamares mínimos estabelecidos pela Política Nacional de Preços Mínimos, o que desestimula a produção. Do lado da oferta, os estoques iniciais da temporada 2026, em 31 de julho, são estimados em 2,314 milhões de toneladas, recuo de 57,3% frente a 2025. As importações devem alcançar 6,65 milhões de toneladas (-2,5%), levando os suprimentos totais a 15,58 milhões de toneladas, retração de 3,6% no comparativo anual.
Quanto à demanda, o consumo interno é projetado em 11,8 milhões de toneladas entre agosto/26 e julho/27 (-0,8%), enquanto as exportações podem crescer 4,7%, atingindo 2,052 milhões de toneladas. Diante desse balanço, os estoques finais devem cair para 1,73 milhão de toneladas em julho de 2027, retração de 25,2% frente à temporada anterior. Os preços nacionais seguem em recuperação, sustentados também pela postura retraída dos vendedores no spot e pela necessidade de compra por parte dos moinhos. Nos últimos sete dias, no mercado de balcão (preço pago ao produtor), as cotações registram alta de 1,68% no Rio Grande do Sul, 1,41% em Santa Catarina e 0,11% no Paraná.
No mercado de lotes (negociação entre empresas), os avanços são de 5,39% no Rio Grande do Sul, de 2,56% no Paraná e de 2,13% em São Paulo; já em Santa Catarina há leve queda de 0,11%. Os preços futuros avançaram de forma expressiva na última semana, impulsionados pelas condições adversas para o trigo de inverno nos Estados Unidos. O déficit hídrico tem afetado o desenvolvimento das lavouras e elevado as incertezas quanto à produção. Segundo o Monitor de Seca dos Estados Unidos, até 14 de abril, 68% da área cultivada estava sob algum nível de seca; o dobro do registrado no mesmo período do ano passado.
Esse quadro já se reflete nas condições das lavouras: dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indicam que apenas 34% estavam em condições boas/excelentes até 12 de abril (47% um ano antes), enquanto 32% eram classificadas como ruins/muito ruins (19% em 2025). Nesse contexto, na Bolsa de Chicago, o contrato Maio/26 do trigo Soft Red Winter apresenta avanço de 3,5% nos últimos sete dias, cotado a US$ 5,91 por bushel (US$ 217,25 por tonelada). Na Bolsa de Kansas, o contrato do trigo Hard Winter tem alta de 7,8% no mesmo comparativo, para US$ 6,36 por bushel (US$ 233,97 por tonelada). Na Argentina, os preços FOB permanecem estáveis, em US$ 229,00 por tonelada. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.