15/Apr/2026
Segundo a StoneX, a safra brasileira de trigo de 2026 pode atingir o menor volume dos últimos cinco anos, em função da expectativa de redução da área plantada diante do aumento dos custos de produção e dos riscos climáticos. O cenário indica desestímulo ao cultivo, com impacto direto sobre a oferta nacional. A elevação dos custos é impulsionada, sobretudo, pela alta dos fertilizantes nitrogenados, associada ao cenário geopolítico no Oriente Médio. A incerteza quanto à disponibilidade futura de insumos reforça a tendência de retração na área cultivada.
No mercado internacional, a produção global também deve apresentar recuo no ciclo 2026/27. Na região do Mar Negro, a queda anual é atribuída à combinação de preços pressionados e riscos climáticos, incluindo possíveis danos por frio. Na Ucrânia, a área destinada à safra de primavera pode recuar mais de 10%. No Canadá, a área de trigo tende a ser reduzida em favor da canola, refletindo melhores margens associadas ao avanço das políticas de biocombustíveis. Em contraste, a Europa apresenta condições favoráveis de produção, com lavouras na França classificadas em mais de 80% como boas ou excelentes.
O monitoramento climático indica elevada probabilidade de consolidação do fenômeno El Niño, estimada em 80% a partir de agosto. O evento pode provocar excesso de chuvas no Sul do Brasil, com potencial impacto negativo sobre a produtividade, além de afetar a produção em outros países, como a Austrália. Apesar do ajuste entre produção e consumo global, os estoques mundiais permanecem em níveis confortáveis. A demanda para consumo humano segue em expansão, enquanto o uso do trigo para ração tende a recuar, diante da competitividade de alternativas com menor custo. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.