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14/Apr/2026

Preços do trigo estão em alta no mercado interno

Os preços do trigo seguem em alta no mercado brasileiro, mesmo diante da retração das cotações externas e da desvalorização do dólar frente ao Real. O movimento de avanço interno é sustentado sobretudo pela postura retraída dos vendedores, que estão focados nos trabalhos de campo da safra de verão (1ª safra 2025/2026), pela baixa disponibilidade no mercado spot neste período de entressafra e pela necessidade de reposição de estoques por parte dos compradores. Nos últimos sete dias, no mercado de balcão (preço pago ao produtor), as altas são de 1,1% em Santa Catarina e de 0,12% no Paraná, enquanto no Rio Grande do Sul os preços se mantêm estáveis. No mercado de lotes (negociações entre empresas), os avanços são de 1,55% em São Paulo, de 1,31% em Santa Catarina, de 0,73% no Rio Grande do Sul e de 0,54% no Paraná.

No mercado externo, as cotações futuras estão pressionadas nas bolsas norte-americanas, influenciadas pelo aumento dos estoques globais e pelas recentes chuvas nas Grandes Planícies do sul dos Estados Unidos. Até o dia 5 de abril, 35% das lavouras de trigo de inverno estavam em boas ou excelentes condições, abaixo dos 48% observados no mesmo período do ano anterior. Assim, na Bolsa de Chicago, o contrato Maio/26 do trigo Soft Red Winter registra queda de 4,6% nos últimos sete dias, a US$ 5,71 por bushel (US$ 209,81 por tonelada). Na Bolsa de Kansas, o contrato Maio/26 do trigo Hard Winter apresenta desvalorização de 4,1% no mesmo comparativo, para US$ 5,90 por bushel (US$ 217,06 por tonelada). Na Argentina, os preços FOB têm avanço de 2,2% na parcial de abril, atingindo US$ 229,00 por tonelada.

As importações brasileiras de trigo somaram 525,78 mil toneladas em março, volume 144,5% superior ao de fevereiro, mês em que as aquisições foram as menores em 18 anos, mas ainda 19,3% inferior ao registrado em março de 2025. A Argentina respondeu por 66,8% do total importado em março, seguida por Uruguai (17,1%), Paraguai (16,1%) e Canadá (0,1%). O preço médio foi de US$ 217,13 por tonelada, equivalente a R$ 1.135,79 por tonelada. No acumulado dos últimos 12 meses, as importações totalizam 6,191 milhões de toneladas, queda de 10,8% frente ao período anterior. As exportações, por sua vez, somaram 447,38 mil toneladas em março/26, aumentos de 97,3% frente às de fevereiro e de 81,2% em relação às de março/25. Os principais destinos foram Arábia Saudita, África do Sul, Quênia, Vietnã, Colômbia e Angola. O preço médio exportado foi de US$ 226,18 por tonelada (R$ 1.183,13 por tonelada).

Dados divulgados neste mês pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indicam produção mundial de 844,15 milhões de toneladas na safra 2025/26, leve alta de 0,2% frente à projeção de março e 5,6% acima da safra anterior. Para o Brasil, houve revisão negativa de 1,6%, para 7,873 milhões de toneladas. O consumo global foi ajustado para baixo em 0,6% no comparativo mensal, totalizando 820,12 milhões de toneladas, mas ainda está 1,3% acima do ciclo anterior. Já os estoques finais foram revisados para 283,12 milhões de toneladas, avanços de 2,2% frente a março e de 9,3% na comparação anual. O comércio global (exportações e importações) foi estimado em 221,88 milhões de toneladas, com leve aumento mensal de 0,1% e alta de 8,5% em relação à safra passada. Houve elevação nas projeções de exportação para a Rússia, a Argentina e o Cazaquistão, enquanto a Austrália, a Ucrânia e o Brasil tiveram revisões negativas. Entre os importadores, destacam-se aumentos para Indonésia, Bangladesh, Vietnã, Japão, Quênia e Estados Unidos. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.