14/Apr/2026
Segundo a StoneX, a escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã tende a manter a soja e outras commodities agrícolas em níveis mais altos do que os sugeridos pelos fundamentos imediatos de oferta e demanda, ao ampliar os riscos de energia cara, escassez de fertilizantes e custos maiores de produção nos próximos meses. As negociações entre Estados Unidos e Irã no Paquistão duraram 20 horas no sábado (11/04) e terminaram sem acordo. O ponto inegociável foi o programa nuclear do Irã. Em resposta, o presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou o bloqueio a navios ligados ao fluxo iraniano no Estreito de Ormuz. Embora a comunicação militar dos Estados Unidos tenha indicado que o trânsito neutro para destinos não iranianos não seria impedido, o mercado tende a assumir que armadores de outras origens evitarão a região diante do risco de ataques.
Pode-se assumir que essencialmente todo o movimento de petróleo foi interrompido ou será interrompido em breve, e isso também vale para o fluxo de fertilizantes. Esse quadro não significa alta contínua e linear das cotações, mas cria uma base maior de sustentação para os preços agrícolas enquanto durar a guerra. Olhando apenas para milho e trigo, os fundamentos ainda seriam relativamente confortáveis: os estoques finais de trigo dos Estados Unidos equivalem a 46% do consumo esperado e os de milho, a 13%, nível mais apertado, mas ainda administrável. O que sustenta as cotações é o risco embutido pelo conflito, e não o balanço físico imediato. A tendência é que a situação piore antes de melhorar. Parte da infraestrutura já atingida pode levar de dois a cinco anos para ser reparada. As faltas de energia e de fertilizantes vão piorar antes de melhorar, a menos que esta guerra termine imediatamente.
Os últimos navios que deixaram o Estreito no início do conflito chegaram aos destinos no começo de abril. Com o esgotamento dos estoques flutuantes, já há relatos de filas longas de caminhões para abastecimento em alguns países, paralisações por falta de combustível e mudanças de rota no transporte marítimo em busca de reabastecimento no Atlântico, o que encarece o frete. As regiões mais afetadas tendem a ser a Ásia, a Austrália e, em seguida, a Europa, por dependerem mais dos fluxos que passam pelo Estreito. A StoneX não vê crise global imediata de abastecimento e discordou da avaliação da ONU de que o mundo enfrentará falta de alimentos nos próximos meses. Os países mais pobres, sem capacidade de pagar por energia e fertilizantes mais caros, tendem a ser os mais atingidos. O trigo é o grão mais vulnerável, por ter menor margem para absorver a alta dos insumos.
A escassez em outras regiões pode redirecionar parte da demanda para a oferta mais abundante dos Estados Unidos, criando um amortecedor temporário para compradores com maior capacidade financeira. A percepção é de que Donald Trump está escalando o conflito para encurtá-lo, apostando que uma pressão econômica mais intensa force uma rendição mais rápida do Irã. Porém, há um componente cultural e político que dificulta uma solução rápida. A cultura que governa o Irã hoje não é uma cultura de rendição. É uma cultura de morrer pela causa. O sinal do Irã de que está disposto a continuar negociando é parte da estratégia iraniana de arrastar o conflito para desgastar Trump eleitoralmente nas eleições de meio de mandato de novembro. O fim da guerra pode provocar um movimento brusco de saída de recursos das commodities, em referência aos produtores que tentem reter produto à espera do pico das cotações. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.