07/Apr/2026
O mercado brasileiro de trigo em grão mantém a trajetória de valorização, sustentada sobretudo pela baixa oferta do cereal no spot. No Paraná, o preço médio ultrapassou R$ 1.280,00 por tonelada no fim de março, retornando a patamares observados em meados de setembro de 2025. Os produtores seguem afastados do mercado, à espera de oportunidades mais remuneradoras para comercialização. Além disso, parte dos agricultores está com as atenções voltadas às atividades relacionadas à safra de verão (1ª safra 2025/2026), o que contribui para limitar a liquidez no spot nacional. Do lado da demanda, moageiras mostram ter necessidade de recomposição de estoques, especialmente neste início de mês. Assim, os compradores ativos encontram um cenário de baixa disponibilidade e, com isso, acabam aceitando os maiores preços pedidos por vendedores. Nos últimos sete dias, no mercado de balcão (preço pago ao produtor), as cotações apresentam alta de 2,68% no Rio Grande do Sul e 1,02% no Paraná, enquanto permanecem estáveis em Santa Catarina.
No mercado de lotes (negociações entre empresas), os avanços são de 1,4% no Rio Grande do Sul, de 1,16% no Paraná e de 0,86% em Santa Catarina, ao passo que, em São Paulo, há leve recuo de 0,17%. Na Bolsa de Chicago, os preços são sustentados pela preocupação com o clima seco nas regiões produtoras das Grandes Planícies, ao sul dos Estados Unidos. De acordo com o Monitor de Seca dos Estados Unidos, até 31 de março, 65% da área estava afetada por algum nível de estiagem, contra 38% no mesmo período de 2025. Nesse contexto, o contrato Maio/26 do trigo Soft Red Winter registra alta de 1,8% nos últimos sete dias, a US$ 5,98 por bushel (US$ 219,82 por tonelada). Em contrapartida, na Bolsa de Kansas, os preços são pressionados por realizações de lucro e pela ocorrência de chuvas recentes em áreas do leste do estado, o que amenizou as preocupações climáticas. Assim, o contrato Maio/26 do trigo Hard Winter registra queda de 2,7% no mesmo intervalo, para US$ 6,15 por bushel (US$ 226,25 por tonelada).
Na Argentina, os preços FOB divulgados pelo Ministério da Economia têm avanço de 1,8% nos últimos sete dias, a US$ 224,00 por tonelada. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) indicam que, até a terceira semana de março (15 dias úteis), o Brasil importou 358,09 mil toneladas de trigo, volume inferior às 651,26 mil toneladas registradas em todo o mês de março de 2025. A média diária de importação foi de 23,87 mil toneladas, cerca de 30% abaixo da observada no mesmo mês do ano anterior. O preço médio de importação ficou em US$ 215,50 por tonelada FOB origem, 7,9% inferior ao de março de 2025. As exportações somaram 229,68 mil toneladas no mesmo período, abaixo das 246,9 mil toneladas embarcadas em março do ano passado. Ainda assim, a média diária exportada, de 15,31 mil toneladas, superou em 17,8% a de janeiro de 2025. O preço médio de exportação foi de US$ 226,40 por tonelada, 2,5% inferior ao registrado naquele mês. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.