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06/Apr/2026

Rússia: política comercial pressiona rentabilidade

Na Rússia, a forte queda na rentabilidade do setor agrícola da Rússia em 2025 evidencia os impactos acumulados de políticas de intervenção no comércio e de um ambiente de custos mais elevados, alterando de forma estrutural a dinâmica econômica da produção no país. O lucro antes de impostos recuou 43,7% na comparação anual, somando 161,9 bilhões de rublos, o equivalente a aproximadamente US$ 2 bilhões, no pior desempenho em oito anos. O resultado reforça uma trajetória de deterioração desde o pico registrado em 2021, com o setor operando atualmente com menos da metade daquele nível de rentabilidade. O principal fator de pressão está associado à política de taxação e restrições às exportações agrícolas, implementada ao longo dos últimos anos.

As medidas, voltadas especialmente para trigo e oleaginosas, têm como efeito a redução dos preços domésticos em relação às cotações internacionais, comprimindo a receita dos produtores. Estimativas indicam perdas acumuladas entre 7% e 12% da receita total do setor entre 2021 e 2025. Além da política comercial, o ambiente global também contribuiu para a compressão de margens. A desaceleração dos preços internacionais de commodities agrícolas após 2022 reduziu o potencial de receita, enquanto os custos de produção seguiram trajetória de alta, impulsionados pelo encarecimento de máquinas importadas, insumos agrícolas e mão de obra. A combinação desses fatores evidencia um descolamento entre receita e custo, deteriorando a rentabilidade operacional e elevando o risco financeiro da atividade.

Esse cenário é agravado por restrições adicionais à importação de tecnologias e insumos, que limitam ganhos de produtividade e ampliam a dependência de estruturas menos eficientes. No médio prazo, a manutenção desse ambiente tende a gerar efeitos sobre a produção. A redução da rentabilidade pode levar à menor utilização de tecnologia, ajustes na área plantada e queda na produtividade, com potencial impacto sobre a oferta de grãos nas próximas safras. Dessa forma, o caso ilustra como políticas de controle de preços e restrições comerciais, embora voltadas à estabilidade interna, podem comprometer os incentivos econômicos da produção agrícola, afetando investimentos, eficiência e capacidade de crescimento do setor. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.