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01/Apr/2026

Derivados: preço da farinha de trigo pode subir em SP

Segundo o Sindicato da Indústria do Trigo do Estado de São Paulo (Sindustrigo), os preços da farinha de trigo no estado de São Paulo apresentam risco de elevação a partir de abril, em função do aumento dos custos logísticos, da pressão de mercado e de mudanças tributárias que impactam a cadeia produtiva. A recente alta do diesel elevou diretamente os custos de frete do trigo e de seus derivados, sustentando a tendência de repasse ao longo da cadeia. O cenário ocorre em meio à valorização de commodities nos mercados interno e externo, influenciada por incertezas globais. As tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã têm contribuído para a alta dos combustíveis e para restrições na oferta de fertilizantes, elevando os custos de produção agrícola e ampliando a volatilidade dos preços.

No ambiente doméstico, há indicação de possível redução da área plantada de trigo na safra 2026, o que pode comprometer a disponibilidade futura do cereal e reforçar a pressão sobre os preços. Esse movimento ocorre em um contexto de ajustes produtivos e incertezas quanto à rentabilidade da cultura. Outro fator relevante é a entrada em vigor da Lei Complementar 224/2025, que altera a carga tributária do setor. A medida reduz o crédito presumido e estabelece a incidência de PIS/Cofins sobre produtos importados sem compensação equivalente, elevando o custo da matéria-prima para a indústria moageira. Embora haja possibilidade de questionamentos jurídicos, os efeitos tendem a ocorrer no curto prazo.

Persistem também desequilíbrios tributários entre Estados, afetando a competitividade da indústria paulista em relação a outros polos produtores e ampliando distorções na formação de preços. No cenário internacional, as cotações do trigo na Bolsa de Chicago refletem preocupações com condições climáticas adversas nos Estados Unidos, especialmente associadas à seca, além de projeções de redução da produção global na safra 2026/27. Apesar da expectativa de safra recorde na Argentina em 2025/26, estimada em 29,5 milhões de toneladas, há incertezas quanto à qualidade do grão, o que gera cautela na aquisição por parte da indústria brasileira. Diante desse conjunto de fatores, a tendência é de manutenção da pressão sobre os custos e sobre os preços da farinha de trigo, com impactos ao longo de toda a cadeia, da produção ao consumo. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.