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31/Mar/2026

Preços do trigo em alta no mercado doméstico

Os preços do trigo em grão estão em alta no Brasil. As médias de março dos estados da Região Sul do País operam nos patamares de outubro/25, e, em algumas regiões, como São Paulo, os atuais patamares são os maiores em aproximadamente seis meses. Esse movimento está atrelado sobretudo a fatores externos, como valorizações internacionais e do dólar frente ao Real, e expectativas para a próxima safra. Dados indicam possíveis reduções de área e de produção em relação a 2025. Nesse contexto, os produtores têm restringido a oferta no mercado spot, à espera de preços mais elevados nos próximos meses. A estratégia também considera a necessidade futura de recomposição de estoques por parte das moageiras e o período de entressafra. Nos últimos sete dias, no mercado de balcão (preço pago ao produtor), os valores apresentam alta de 3% no Paraná, de 1,82% em Santa Catarina e de 0,82% no Rio Grande do Sul.

No mercado de lotes (negociações entre empresas), as altas são de 2,93% no Rio Grande do Sul, de 2,06% no Paraná, de 0,8% em Santa Catarina e de 0,34% em São Paulo. Na parcial de março, o preço médio no Paraná é de R$ 1.227,53 por tonelada, avanço de 5% frente a fevereiro, mas ainda 17,2% abaixo do registrado em março de 2025 (em termos reais, deflacionados pelo IGP-DI de fev/26). No Rio Grande do Sul, a média foi de R$ 1.100,47 por tonelada, alta mensal de 2,6%, sendo a maior desde outubro/25, mas 19,4% inferior à registrada em março/25. Em São Paulo, o preço médio é de R$ 1.328,63 por tonelada (+2,8% no mês), o maior desde agosto/25, mas 16,1% abaixo do observado em março/25. Em Santa Catarina, a média é de R$ 1.204,97 por tonelada, elevação de 5,1% frente a fevereiro e a maior desde outubro/25, mas, ainda assim, a queda na comparação anual é de 13,3%. As bolsas norte-americanas apresentam movimentos distintos.

Na Bolsa de Chicago, os contratos registram recuo, diante da realização de lucros, após três sessões consecutivas de alta (24 a 26 de março). O contrato Maio/26 do trigo Soft Red Winter apresenta desvalorização de 1,3% nos últimos sete dias, cotado a US$ 5,87 por bushel (US$ 215,96 por tonelada). Por outro lado, na Bolsa de Kansas, os preços são impulsionados por preocupações com o clima seco nas Grandes Planícies do sul dos Estados Unidos, principal região produtora de trigo de inverno. Segundo o Monitor de Seca dos Estados Unidos, até 24 de março, 57% da área estava afetada por baixa umidade, frente a 38% no mesmo período de 2025. Nesse cenário, o contrato Maio/26 do trigo Hard Winter se valorizou 4,4%, para US$ 6,32 por bushel (US$ 232,50 por tonelada). No acumulado de março, ambas as bolsas registram fortes valorizações, também influenciadas por tensões geopolíticas. A média mensal na Bolsa de Chicago tem avanço de 8% em relação a fevereiro (US$ 5,92 por bushel ou US$ 217,75 por tonelada), com alta anual de 9,1%.

Na Bolsa de Kansas, o avanço é de 10,6% no mês (US$ 6,04 por bushel ou US$ 222,17 por tonelada) e de 6,4% no ano. Em ambos os casos, trata-se das maiores médias desde junho de 2024. Na Argentina, os preços FOB registram avanço de 0,46% nos últimos sete dias, a US$ 219,00 por tonelada. Na média mensal, a alta é de 2,9% em relação a fevereiro, com média de US$ 213,89 por tonelada. No curto prazo, a valorização está associada a problemas de qualidade do trigo argentino. Ainda assim, na comparação anual, os preços argentinos registram queda de cerca de 12%, refletindo a elevada produção recente, embora com menor disponibilidade de trigo de qualidade superior. Moageiras brasileiras têm enfrentado dificuldades com a qualidade do produto importado, o que tem levado à priorização de compras no mercado doméstico ou em outros fornecedores como o Paraguai, especialmente os demandantes do Paraná, favorecidos pela logística.

Foi publicada no Diário Oficial da União a Portaria MAPA nº 895/2026, que estabelece os Preços Mínimos para trigo em grão e sementes na temporada 2026/27, conforme definidos pelo Conselho Monetário Nacional (Voto nº 3/2026). Os valores permanecem os mesmos vigentes desde julho de 2025. Para a Região Sul, os Preços Mínimos do trigo tipo 1 (PH 78) são de R$ 82,23 por saca de 60 Kg) para o tipo melhorador e de R$ 78,51 por saca de 60 Kg para o tipo pão. Nas Regiões Sudeste, Centro-Oeste e Bahia, os valores são de R$ 87,17 por saca de 60 Kg e de R$ 82,40 por saca de 60 Kg, respectivamente. Vale destacar que os preços de mercado seguem, em geral, abaixo dos Preços Mínimos oficiais, sem registro de intervenções governamentais. Segundo estimativas, com base nos preços dos insumos de janeiro e fevereiro de 2026, os custos operacionais de produção variam entre R$ 60,00 e R$ 82,00 por saca de 60 Kg no Paraná e no Rio Grande do Sul, considerando produtividades médias. No entanto, a cultura do trigo é frequentemente afetada por condições climáticas adversas, o que pode comprometer o rendimento e a qualidade. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.