31/Mar/2026
O inverno marca o início do ciclo de produção de cevada na Região Sul do Brasil, ocupando áreas antes destinadas ao trigo ou permaneciam ociosas. O cereal se tornou essencial para a indústria cervejeira e representa fonte complementar de renda para agricultores, além de contribuir para a rotação de culturas e otimização do uso da terra. Para fortalecer a produção, a Ambev estruturou uma política comercial que garante metade do valor da colheita de cevada cervejeira com preço pré-definido, enquanto a outra metade acompanha a cotação do trigo, concorrente da cevada nas áreas produtivas. O objetivo é assegurar custos de produção e manter a lógica de mercado. A empresa garante a compra de 100% da produção regional e oferece assistência técnica, manejo e orientação na escolha de variedades.
A cevada que não atingir padrões para produção de malte é adquirida para uso forrageiro. O pagamento ocorre em dezembro, após a colheita realizada entre outubro e novembro, com plantio entre maio e junho. No Paraná, a Ambev mantém parceria de longa data com a cooperativa Agrária, garantindo a compra de todo o malte produzido e agregando valor aos cooperados. A área semeada no Paraná deve alcançar 111,3 mil hectares em 2026, alta de 7,3% ante 2025, enquanto o Rio Grande do Sul terá 34,5 mil hectares, aumento de 9,9%. Segundo a Embrapa, o cultivo fora da Região Sul enfrenta desafios como necessidade de irrigação e custo logístico elevado.
Clima e topografia são limitantes: excesso de chuva, geadas tardias e ondas de calor durante a fase de pré-colheita afetam a qualidade dos grãos. Para minimizar perdas, a pesquisa desenvolve cultivares mais resistentes a doenças, acamamento e germinação em espiga, mantendo qualidade cervejeira. A Ambev também incentiva o uso de sementes de qualidade, como a cultivar ABI Valente, homologada em 2025 após 12 anos de testes. A variedade apresenta produtividade 16% superior às opções comerciais, grãos 15% maiores e mais homogêneos e maior resistência a doenças fúngicas, reduzindo uso de defensivos. Os produtores parceiros não pagam royalties pelo uso da ABI Valente, que poderá ser licenciada a outras indústrias no futuro. Fonte: CNN Brasil. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.