27/Mar/2026
O agravamento do conflito no Oriente Médio tem intensificado a pressão sobre os custos da indústria moageira no Paraná, com impactos diretos sobre insumos, logística e abastecimento. Segundo o Sindicato da Indústria do Trigo do Paraná (Sindustrigo), o ambiente de alta nas commodities energéticas tem provocado efeito cascata sobre toda a cadeia produtiva. Entre os principais impactos, destaca-se a elevação superior a 25% no custo das embalagens, além do encarecimento generalizado de insumos e fretes.
A valorização do petróleo tem pressionado o diesel, que figura como um dos principais componentes do custo operacional dos moinhos, ampliando os desafios financeiros do setor. No mercado de trigo, observa-se movimento de alta tanto no cenário doméstico quanto internacional desde o início das tensões, com perspectiva de manutenção desse viés até a próxima safra. Paralelamente, o aumento expressivo do frete marítimo reforça a pressão sobre os custos de importação, com efeitos que tendem a se prolongar mesmo em caso de redução das tensões geopolíticas.
Além do ambiente externo adverso, fatores estruturais internos seguem limitando a competitividade da cadeia no Estado. A infraestrutura logística deficiente, especialmente na malha rodoviária, e a insuficiência de capacidade de armazenagem em silos ampliam os custos e reduzem a eficiência operacional. O setor também acompanha possíveis impactos regulatórios, como mudanças no ambiente tributário e no mercado de trabalho, que podem elevar ainda mais os custos de produção e operação. No abastecimento, a dependência de importações permanece elevada.
Diante da redução da área cultivada e da produção interna insuficiente, o Paraná deve importar cerca de 1,3 milhão de toneladas de trigo em 2026. A Argentina segue como principal fornecedora, mas o cenário de demanda global aquecida e custos logísticos elevados reduz a previsibilidade do suprimento. O contexto reforça um ambiente de pressão estrutural sobre a cadeia do trigo, no qual fatores externos e internos se combinam, elevando custos e ampliando os desafios para garantir abastecimento regular e competitivo no mercado brasileiro. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.