18/Mar/2026
Segundo o Itaú BBA, os preços do trigo no Rio Grande do Sul apresentaram alta de 1,2% em fevereiro, com média mensal de R$ 55,61 por saca de 60 Kg, mantendo trajetória de valorização no início de março. Em 13 de março, a cotação atingiu R$ 58,16 por saca de 60 Kg, em um ambiente de comercialização mais lenta, com agentes priorizando a safra de soja. Apesar da reação nos preços, a perspectiva para a safra 2026 indica nova retração na área plantada. A estimativa aponta recuo de 5%, para 2,3 milhões de hectares, após queda de 20% no ciclo anterior.
O desestímulo à cultura está associado às margens apertadas, que reduzem a atratividade econômica para o produtor. A produção nacional é projetada em 6,9 milhões de toneladas, enquanto os estoques finais devem ficar abaixo do registrado em 2025, refletindo o ajuste na área e o equilíbrio entre oferta e demanda interna. No mercado internacional, os preços apresentaram valorização em fevereiro, com altas de 6,1% na Bolsa de Chicago e de 3,4% na Bolsa de Kansas. O movimento está associado ao período de entressafra e a riscos climáticos no Hemisfério Norte, incluindo seca nos Estados Unidos e frio na Europa e na Rússia.
Fatores geopolíticos também contribuíram para o suporte aos preços, com impactos sobre frete, logística e custos, elevando a volatilidade. No entanto, não há indicação de choque imediato de oferta global, diferentemente de eventos anteriores no Mar Negro. No balanço global, a produção de trigo na safra 2025/26 foi revisada para 842 milhões de toneladas, com potencial de recorde, impulsionada por aumento na Ucrânia e no Cazaquistão. O consumo global foi ajustado para 821 milhões de toneladas, com destaque para o uso em ração na União Europeia.
As exportações da Argentina estão projetadas em 19,5 milhões de toneladas, volume recorde. Os estoques finais globais foram estimados em 277 milhões de toneladas, o maior nível dos últimos cinco anos, indicando um cenário de oferta confortável no mercado internacional. O contexto combina valorização pontual no mercado doméstico com fundamentos globais amplamente abastecidos, enquanto a redução de área no Brasil reflete a pressão das margens sobre as decisões de plantio. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.