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17/Mar/2026

Preços do trigo avançam no mercado doméstico

Atentos às valorizações externas e do dólar frente ao Real, os vendedores brasileiros estão mais firmes nos preços pedidos pelo trigo no mercado spot nacional. Do lado da demanda, parte dos compradores voltou ao mercado em busca de recompor estoques. Nesse cenário, os preços do trigo estão reagindo nas principais regiões. Nos últimos sete dias, os preços registram avanço no mercado de balcão (preço pago ao produtor), com altas de 1,85% no Rio Grande do Sul, de 0,15% em Santa Catarina e de 0,14% no Paraná. No mercado de lotes (negociações entre empresas), as valorizações são de 1,39% em Santa Catarina, de 1,23% em São Paulo, de 0,87% no Rio Grande do Sul e de 0,67% no Paraná. No mercado externo, os futuros do trigo seguem em alta, influenciados sobretudo pelas preocupações climáticas nos Estados Unidos. Dados do Monitor de Seca dos Estados Unidos indicam que, até 10 de março, 55% da produção de trigo de inverno estava afetada de alguma forma pela estiagem, percentual bem acima dos 27% registrados no mesmo período do ano passado. Esse cenário tende a manter os preços internacionais firmes.

Além disso, o mercado permanece atento às tensões geopolíticas no Oriente Médio, que podem elevar os custos dos insumos, especialmente dos fertilizantes. Na Bolsa de Chicago, o contrato Março/26 do trigo Soft Red Winter valorizou-se em 1,2% nos últimos sete dias, cotado a US$ 6,18 por bushel (US$ 227,26 por tonelada). Na Bolsa de Kansas, o vencimento Março/26 do trigo Hard Winter também avançou 1,2% no mesmo período, encerrando a US$ 6,18 por bushel (US$ 227,35 por tonelada). Na Argentina, principal origem do trigo importado pelo Brasil, os preços FOB divulgados pelo Ministério da Economia apresentam alta de 0,9% nos últimos sete dias, a US$ 214,00 por tonelada, reforçando o ambiente de sustentação às cotações no mercado doméstico. De acordo com levantamento divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em 13 de março, a previsão para a safra brasileira de trigo em 2026 permaneceu estável em relação à estimativa inicial apresentada no mês anterior. A produção nacional é estimada em 6,9 milhões de toneladas, volume 12,3% inferior ao da temporada de 2025.

A produtividade média é prevista em 2,978 toneladas por hectare, com retração de 7,5%, enquanto a área cultivada está projetada em 2,318 milhões de hectares, redução de 5,2% em relação ao ciclo anterior. Os estoques iniciais da temporada 2026 seguem estimados em 2,314 milhões de toneladas, e as importações, em 6,77 milhões de toneladas, leve redução de 0,7% frente à safra passada. Com isso, os suprimentos totais são projetados em 16 milhões de toneladas, pequena queda de 1,1% em relação ao ano anterior. Do lado da demanda, o consumo interno é estimado para recuar 0,8%, para 11,8 milhões de toneladas, enquanto as exportações podem crescer 3,9%, alcançando 2,037 milhões de toneladas. Com isso, os estoques finais devem atingir 2,15 milhões de toneladas, 6,9% inferiores aos da temporada anterior. Os dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulgados na semana passada apontam que a produção mundial de trigo na safra 2025/26 pode alcançar 842,12 milhões de toneladas, volume ligeiramente superior ao estimado em fevereiro e 5,2% acima do registrado em 2024/25.

O aumento reflete principalmente revisões positivas para a Ucrânia e o Cazaquistão, parcialmente compensadas por uma redução na Austrália. No consumo, houve ajuste positivo para a União Europeia, enquanto os dados permaneceram estáveis para os demais grandes consumidores. A estimativa global é de 824,79 milhões de toneladas, leve alta mensal (+0,1%) e 1,8% acima da temporada anterior. Os estoques finais mundiais foram revisados para 276,96 milhões de toneladas, 0,2% abaixo do mês anterior e 6,7% acima dos de 2024/25. O comércio global foi estimado em 221,61 milhões de toneladas, aumentos de 0,1% em relação a fevereiro e de 8,4% em relação à safra passada. Entre os importadores, houve revisão positiva para Bangladesh, Vietnã, Uzbequistão e Arábia Saudita, enquanto as estimativas foram reduzidas para Brasil, Nigéria, México e Tailândia. Do lado das exportações, as projeções foram elevadas para a Argentina e o Cazaquistão e reduzidas para a União Europeia, a Rússia, a Ucrânia e o Brasil. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.