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10/Mar/2026

Preços do trigo avançam no mercado doméstico

As importações brasileiras de trigo vêm diminuindo nos últimos meses. Em fevereiro, especificamente, as compras externas foram as menores em 18 anos para um único mês. No acumulado de 12 meses, o volume adquirido é o mais baixo desde o período encerrado em setembro de 2024. Para os próximos meses, o aumento no valor do dólar e os estoques mais ajustados nos moinhos podem manter as compras externas lentas e favorecer o aumento da liquidez no mercado interno. Segundo dados da Secretaria de Comercio Exterior (Secex), chegaram ao Brasil 215,03 mil toneladas de trigo em fevereiro, expressivos 57,4% abaixo do volume importado em janeiro/26, quase 63% inferior ao de fevereiro/25 e o menor desde maio/08 (170,1 mil toneladas). O preço médio das importações foi de US$ 214,97 por tonelada. Em Reais, considerando-se o dólar médio de R$ 5,20, o valor equivalente é de R$ 1.118,04 por tonelada. Quanto à origem do trigo importado, 83,5% vieram da Argentina; 8,9%, da Rússia; 7,3%, do Paraguai; e 0,2%, do Uruguai.

As exportações, por sua vez, superaram as importações em fevereiro, com embarques somando 236,7 mil toneladas de trigo. Os principais destinos foram Nigéria (49,6%), Vietnã (27,1%), Quênia (13,9%) e Uganda (6,9%). Outros quatro destinos receberam 0,6% das exportações brasileiras. O preço médio das exportações foi de US$ 225,67 por tonelada, equivalente a R$ 1.173,69 por tonelada. Com base em dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), entre 2 e 6 de março (período mais recente disponível), a paridade de importação do trigo argentino foi de US$ 226,16 por tonelada para o produto posto no Paraná. Considerando-se o dólar médio do período, de R$ 5,24, o cereal importado foi negociado a R$ 1.186,25 por tonelada, enquanto o trigo nacional no estado apresentou média de R$ 1.193,83 por tonelada. No Rio Grande do Sul, a paridade do produto argentino foi de US$ 211,39 por tonelada, equivalente a R$ 1.108,76 por tonelada, contra a média estadual de R$ 1.089,09 por tonelada no mesmo período.

Agentes do mercado de trigo estão atentos aos conflitos no Oriente Médio, que repercutiram no mercado internacional e elevaram as cotações futuras. A valorização do dólar frente ao Real na última semana também favoreceu pedidos de preços mais altos por parte de vendedores domésticos. Além disso, moinhos devem passar a demandar volumes maiores entre março e abril. Nos últimos sete dias, os preços registram alta no mercado de balcão (valor ao produtor) de 1,71% no Rio Grande do Sul, de 1,26% no Paraná e de 1% em Santa Catarina. No mercado de lotes (negociações entre empresas), as elevações são de 1,7% no Paraná, de 0,55% em Santa Catarina e de 0,22% em São Paulo, enquanto no Rio Grande do Sul os valores se mantêm estáveis. No mesmo período, o dólar avançou 2,2% frente ao Real. Os futuros de trigo são impulsionados por um movimento de cobertura de posições vendidas diante do conflito no Oriente Médio. As valorizações do petróleo e dos fertilizantes tendem a elevar os custos de produção para os agricultores, o que também sustenta as cotações internacionais.

Além disso, preocupações com o clima seco nos Estados Unidos reforçam o movimento de alta. De acordo com o Monitor de Seca dos Estados Unidos, até 3 de março, 56% da produção de trigo de inverno estava afetada por algum grau de seca. Na semana anterior, esse percentual era de 50%, enquanto, há um ano, era de 24%. Na Bolsa de Chicago, o contrato Março/26 do trigo Soft Red Winter registra valorização de 3,4% nos últimos sete dias, encerrando a US$ 6,11 por bushel (US$ 224,60 por tonelada), o maior valor para o primeiro vencimento desde outubro de 2024. Na Bolsa de Kansas, o contrato Março/2026 do trigo Hard Winter tem avanço de 6,8% no mesmo período, a US$ 6,11 por bushel (US$ 224,69 por tonelada), maior valor para o primeiro vencimento desde fevereiro de 2025. Na Argentina, os preços FOB divulgados pelo Ministério da Economia apresentam alta de 0,5% nos últimos sete dias, a US$ 212,00 por tonelada. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.