09/Mar/2026
O mercado brasileiro de trigo apresenta sinais iniciais de reação nas cotações nas principais regiões produtoras do Sul do País, impulsionado pela redução gradual dos estoques internos e pela maior competitividade do produto nacional frente ao cereal importado. Após um período de liquidez limitada em fevereiro, a indústria moageira, já abastecida para o curto prazo, passou a buscar ofertas com embarque programado para abril e maio.
No Paraná, as referências de preços indicam valorização. No interior do Estado, as cotações atingiram R$ 1.200 por tonelada CIF, enquanto as indicações para entrega em março e abril avançaram de R$ 1.250 por tonelada para R$ 1.350 por tonelada CIF em um intervalo de duas semanas. O movimento reflete a demanda da indústria por farinha e também a avaliação de que o trigo paranaense apresenta qualidade superior à do cereal argentino nesta temporada.
As importações também permanecem presentes no abastecimento. Em janeiro, o Brasil internalizou 48,7 mil toneladas de trigo, o maior volume para o mês em cinco anos, refletindo a estratégia da indústria de garantir composições de mistura diante da irregularidade da safra argentina. A perspectiva é de que o cereal entre em um período de valorização nas próximas semanas, embora haja limitações impostas pela demanda final mais fraca. A indústria moageira enfrenta dificuldades para repassar aumentos de custos à farinha, diante de um consumo doméstico ainda contido, o que tende a restringir movimentos mais intensos de alta nas cotações.
No Rio Grande do Sul, os preços também apresentaram reação moderada. Em Ijuí, as cotações registraram elevação de aproximadamente 2,8% em relação ao período anterior. No interior do Estado, as referências para embarque no próximo mês chegam a R$ 1.100 por tonelada FOB, enquanto as pedidas de venda variam de R$ 1.150 por tonelada para abril até R$ 1.250 por tonelada para maio. O mercado físico segue relativamente estável no curto prazo, com compradores mais ativos na busca por lotes para embarque a partir de abril. A expectativa é de maior movimentação à medida que a indústria avance na recomposição de estoques após o período de cobertura para março.
No Rio Grande do Sul, o programa de exportação de trigo se aproxima do encerramento, com os últimos embarques previstos para ocorrer ainda em março. Considerando exportações e operações de cabotagem, o volume total que deverá deixar o Estado pelos portos nesta temporada é estimado próximo de 2 milhões de toneladas, contribuindo para reduzir a oferta interna. No mercado externo, o trigo argentino nacionalizado é ofertado a US$ 253 por tonelada CIF em Canoas (RS), embora não haja previsão de novas chegadas de navios no curto prazo. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.