03/Mar/2026
Ao longo de fevereiro, os preços do trigo apresentaram direções distintas entre os estados acompanhados pelo Cepea. Enquanto Santa Catarina e Paraná registraram recuo nas médias mensais frente a janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul apresentaram valorização no período. Em Santa Catarina, o preço médio foi de R$ 1.146,62 por tonelada, queda de 1,1% em relação a janeiro/26 e de 18% frente a fevereiro/25, configurando o menor patamar desde março/18 em termos reais, com deflação pelo IGP-DI de janeiro/26. No Paraná, a média foi de R$ 1.169,18 por tonelada, recuo de 0,8% no mês e de 17,6% no comparativo anual, sendo também a menor média real desde outubro/23. Nesses estados, os valores foram pressionados por estoques confortáveis e pela baixa necessidade de aquisições no mercado spot. Em São Paulo, o preço médio atingiu R$ 1.291,83 por tonelada, alta de 2,8% frente a janeiro, embora ainda 18,5% abaixo do registrado em fevereiro/25. No Rio Grande do Sul, a média foi de R$ 1.073,10 por tonelada, avanço de 2,1% no mês e a mais elevada desde outubro/25, apesar da retração de 17,3% em relação a fevereiro/25, em termos reais.
Nesses estados, os preços foram sustentados por postura mais firme de vendedores, menor oferta disponível no spot e expectativa de maior demanda no curto prazo. Em São Paulo, a menor produção da temporada mantém o mercado ajustado. No Rio Grande do Sul, a redução das importações no curto prazo e a proximidade da entressafra elevam a atenção dos agentes, enquanto a necessidade de recomposição de estoques por parte das moageiras tende a sustentar a demanda. Na última semana de fevereiro, entre os dias 20 e 27, no mercado de balcão (preço pago ao produtor), os preços permaneceram estáveis no Paraná e em Santa Catarina e avançaram 0,44% no Rio Grande do Sul. No mercado de lotes (negociação entre empresas), as altas foram de 3,9% em Santa Catarina, 1,31% no Paraná, 0,79% em São Paulo e 0,57% no Rio Grande do Sul. No mercado externo, os contratos futuros de trigo avançaram na última semana de fevereiro, impulsionados por cobertura de posições vendidas diante de preocupações com as condições climáticas nos Estados Unidos.
Até 24 de fevereiro, 50% do trigo de inverno estava afetado pela falta de umidade, ante 46% na semana anterior e 22% no mesmo período do ano passado, conforme monitoramento de seca norte-americano. Na Bolsa de Chicago, o contrato Março/26 do trigo Soft Red Winter valorizou 3,1% entre 20 e 27 de fevereiro, encerrando a US$ 5,91 por bushel, equivalente a US$ 217,25 por tonelada. A média mensal de fevereiro foi de US$ 5,48 por bushel, ou US$ 201,69 por tonelada, alta de 5,87% frente a janeiro e a maior desde fevereiro/25. Na Bolsa de Kansas, o contrato Março/26 do trigo Hard Winter avançou 0,1% na semana, fechando a US$ 5,72 por bushel, ou US$ 210,45 por tonelada. A média mensal subiu 3,42%, para US$ 5,46 por bushel, equivalente a US$ 200,79 por tonelada, maior patamar desde abril/25. Na Argentina, os preços FOB registraram alta de 2,9% entre 20 e 27 de fevereiro, com encerramento a US$ 211,00 por tonelada. A média de fevereiro/26 foi de US$ 207,89 por tonelada, 0,3% inferior à de janeiro/26 e 12,5% abaixo da observada em fevereiro/25. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.