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19/Feb/2026

Preços do trigo estáveis no mercado doméstico

Em relatório divulgado neste mês, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apontou reduções na área, na produtividade e, consequentemente, na produção da temporada brasileira de trigo de 2026. Esse cenário está atrelado, entre outros fatores, ao clima e aos menores preços de negociação do cereal. Os valores estão em movimento de queda desde maio do ano passado. O Brasil deve colher 6,9 milhões de toneladas de trigo neste ano, 12,3% abaixo da temporada de 2025. A produtividade média é estimada em 2,978 toneladas por hectare, retração de 7,5% sobre a safra passada. A área também deve cair, 5,2%, estimada em 2,318 milhões de hectares. Os estoques iniciais para a temporada de 2026 foram elevados em 57% frente aos de 2025, em 2,314 milhões de toneladas. O consumo doméstico deve permanecer estável, em 11,8 milhões de toneladas, enquanto os suprimentos internos devem ser de 15,93 milhões de toneladas, volume confortável para o mercado doméstico.

Isso deve resultar em estoque final de 2,1 milhões de toneladas. As importações, por sua vez, devem ter leve redução de 1,5% comparadas às da safra de 2025. Em fevereiro/2026, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) reduziu as estimativas da Turquia e aumentou as da Argentina e do Reino Unido. Do restante, a produção deve permanecer estável. A previsão é que a safra mundial de trigo 2025/2026 alcance 841,798 milhões de toneladas, quantidade ligeiramente inferior quando comparada à estimativa de janeiro/2026 e 5,2% acima da registrada em 2024/2025. Do lado do consumo, o USDA ajustou positivamente os dados da Indonésia, do Marrocos e negativamente da Turquia, do Canadá, do Afeganistão e dos Estados Unidos. A estimativa global é de 824,059 milhões de toneladas consumidas, leve alta no comparativo mensal e 1,7% acima da temporada de 2024/2025. Os estoques finais mundiais foram revisados para baixo, totalizando 277,51 milhões de toneladas, 0,3% a menos que no mês anterior, mas 6,8% acima da temporada 2024/2025.

O comércio global foi estimado em 221,413 milhões de toneladas, aumentos de 0,8% de janeiro para fevereiro e de 8,3% sobre a safra passada. Do lado das importações, em relação a janeiro, foram revistos positivamente os volumes para Indonésia, Turquia, Bangladesh, Vietnã e União Europeia. Para o México, as estimativas foram revisadas para baixo. Quanto às exportações, os dados de fevereiro elevaram os embarques para Argentina, Canadá e Cazaquistão, enquanto houve revisão negativa para a União Europeia. No mercado nacional, os preços estão estáveis, com negociações ocorrendo ainda de forma lenta, sobretudo devido a dificuldades em acordar preço entre os agentes de mercado. Nos últimos sete dias, no mercado de balcão (preço pago ao produtor), os preços estão estáveis na média dos três Estados da Região Sul. No mercado de lotes (negociações entre empresas), boa parte se mantém estável, com variação apenas no Rio Grande do Sul (-0,19%) e em São Paulo (+0,35%).

O preço externo do trigo está em alta, diante dos reajustes para baixo dos dados globais do USDA, contudo, para os Estados Unidos, o USDA manteve estável os dados de produção e das transações externas, o que deu suporte às cotações. Na Bolsa de Chicago, o contrato Março/2026 do trigo Soft Red Winter registra valorização de 1,7% nos últimos sete dias, a US$ 5,37 por bushel (US$ 197,59 por tonelada). Na Bolsa de Kansas, o contrato Março/2026 do trigo Hard Winter apresenta alta de 1,9% no mesmo período, a US$ 5,38 por bushel (US$ 197,96 por tonelada). Na Rússia, conforme a consultoria SovEcon, houve aumento na previsão da produção da safra de trigo de 2026/2027, em 2,1 milhões de toneladas, podendo resultar num volume de 85,9 milhões de toneladas. Na Argentina, os preços FOB divulgados pelo Ministério da Economia têm baixa 1% nos últimos sete dias, a US$ 207,00 por tonelada. A média de fevereiro/2026 está em US$ 208,90 por tonelada, 12% inferior à de fevereiro/2025. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.