18/Feb/2026
O mercado brasileiro de trigo segue lento, pressionado pela baixa demanda da indústria moageira. O descompasso entre oferta e consumo continua sendo o principal entrave à comercialização, especialmente no Sul do País.
No Paraná, moinhos relatam baixo giro da farinha e estoques alongados, o que reduz o apetite por novas aquisições. As indicações giram ao redor de R$ 1.200 por tonelada CIF, com entrega em março e pagamento apenas em abril. No norte do Estado, as referências variam entre R$ 1.250 e R$ 1.270/t CIF, também com prazos estendidos.
Produtores mostram resistência em negociar diante de preços considerados pouco remuneradores. Parte dos vendedores que precisava liberar espaço nos armazéns para a entrada das safras de verão aceitou valores entre R$ 1.130 e R$ 1.150/t CIF em janeiro. Quem não vendeu tende a postergar as negociações para maio, após a colheita de soja e milho.
O custo do frete mais elevado nesta época do ano, pressionado pelo escoamento em Mato Grosso e também pela logística local de milho, é outro fator que reduz a fluidez do mercado. Além disso, carregamentos de trigo do Paraguai e da Argentina chegam ao Estado com preços ao redor de US$ 248 a US$ 250/t CIF, ampliando a concorrência com o cereal nacional.
No Rio Grande do Sul, as vendas também seguem travadas. As indicações dos moinhos oscilam entre R$ 1.150 e R$ 1.180/t CIF, conforme prazo de pagamento. O trigo argentino chega a Porto Alegre entre US$ 260 e US$ 280/t CIF, dependendo da qualidade.
As exportações gaúchas permanecem enfraquecidas, com produtores priorizando a comercialização de soja e milho. Diante do cenário de preços pouco atrativos e consumo retraído, surgem alertas sobre possível redução de área no próximo ciclo, especialmente no Paraná.
Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.