11/Feb/2026
A qualidade abaixo do esperado do trigo argentino nesta safra tende a pressionar as margens da indústria moageira brasileira, que deverá recorrer a maiores volumes de trigo nacional, de custo mais elevado, para ajustar os blends de farinha. A avaliação é de Douglas Araújo, líder de negócios de trigo da CJ International Brazil.
Segundo o executivo, a maior parte do trigo argentino disponível apresenta teor de proteína inferior a 11%, enquanto o padrão mínimo exigido no Brasil para panificação, massas e biscoitos é de 11,5%. Esse descompasso reduz a capacidade de aproveitamento do produto importado, apesar da competitividade de preço. Embora a safra recorde tenha tornado o trigo argentino o mais barato do mundo, o benefício do custo menor não é integralmente capturado pela indústria.
A substituição parcial do trigo argentino por cereal nacional implica elevação de custos para os moinhos. Em diversas praças, a aquisição de trigo brasileiro representa aumento direto do custo da matéria-prima, comprimindo margens em um ambiente já desafiador para a indústria de moagem.
O Paraná ilustra essa limitação estrutural de oferta. A produção estadual, estimada em 2,7 milhões de toneladas, não cobre a demanda de moagem local, que gira em torno de 4 milhões de toneladas. Com isso, os moinhos precisam recorrer ao trigo do Rio Grande do Sul, com preços mais elevados, ou ao produto paraguaio, que apresenta boa qualidade, mas disponibilidade restrita para exportação.
Nesse contexto, a oferta limitada de trigo com qualidade adequada abre uma oportunidade estratégica para os produtores do Cerrado. O cereal produzido na região tem sido comparado ao trigo duro canadense em termos de qualidade industrial. Para 2026, a expectativa é de avanço relevante, impulsionado pelo lançamento de sementes desenvolvidas especificamente para o bioma, o que pode permitir ao trigo do Cerrado ocupar o espaço de produto melhorador nos blends da indústria moageira.
Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.