10/Feb/2026
Os preços do trigo seguem sustentados no Rio Grande do Sul e em São Paulo, impulsionados por menores estoques disponíveis e pelo bom ritmo das exportações. Os avanços, no entanto, foram parcialmente limitados pela desvalorização do dólar frente ao Real e pelas quedas observadas nos contratos negociados nas bolsas norte-americanas.
Entre o fim de janeiro e o início de fevereiro, no mercado de balcão, os preços ao produtor avançaram 0,3% no Rio Grande do Sul e 0,24% em Santa Catarina, enquanto recuaram 0,31% no Paraná. No mercado de lotes, as cotações registraram queda de 0,68% no Paraná e de 0,04% em Santa Catarina, ao passo que apresentaram altas de 0,56% em São Paulo e de 1,49% no Rio Grande do Sul. No mesmo intervalo, o dólar acumulou desvalorização de 0,59%, encerrando próximo de R$ 5,22.
As exportações brasileiras de trigo somaram 370,6 mil toneladas em janeiro de 2026, com praticamente todo o volume originado no Rio Grande do Sul. O preço médio das exportações foi de US$ 224,38 por tonelada. Considerando o dólar médio mensal de R$ 5,334, a remuneração ao exportador alcançou R$ 1.196,85 por tonelada, acima da média estadual apurada pelo Cepea, de R$ 1.050,89 por tonelada. No acumulado de 12 meses, os embarques totalizaram 2,1 milhões de toneladas, abaixo das 2,45 milhões de toneladas registradas no período imediatamente anterior.
Do lado das importações, chegaram aos portos brasileiros 504,2 mil toneladas de trigo em janeiro de 2026, volume 27,8% inferior ao de dezembro de 2025 e 29,7% menor que o de janeiro de 2025. O preço médio das importações foi de US$ 211,10 por tonelada, o menor patamar desde fevereiro de 2020. Em moeda nacional, esse valor equivale a R$ 1.126,01 por tonelada. Quanto à origem, 67,1% do trigo importado veio da Argentina, 11,9% do Uruguai, 11,5% do Paraguai e 9,5% da Rússia. No acumulado de 12 meses, as importações somaram 6,68 milhões de toneladas, volume próximo às 6,75 milhões de toneladas registradas no período anterior.
No mercado de derivados, os preços do farelo de trigo seguem em alta, impulsionados pela maior demanda do setor pecuário. Entre o início de fevereiro e o período imediatamente anterior, o preço do farelo a granel avançou 0,96%, enquanto o do farelo ensacado subiu 0,5%. Já no mercado de farinhas, as cotações continuaram em queda, pressionadas pela menor demanda doméstica. No mesmo intervalo, os preços recuaram 1,41% para massas frescas, 1,22% para panificação, 0,88% para pré-mistura, 0,6% para massas em geral e 0,51% para bolacha salgada, enquanto permaneceram estáveis para bolacha doce.
No mercado externo, os preços do trigo cederam diante da ampla oferta global. O inverno rigoroso nos Estados Unidos não gerou impactos relevantes sobre as lavouras, enquanto na Rússia as exportações alcançaram 2,8 milhões de toneladas em janeiro de 2026, volume 18% superior ao embarcado no mesmo mês do ano anterior.
Na Bolsa de Chicago, o contrato março/26 do trigo Soft Red Winter acumulou queda de 1,5%, encerrando a US$ 5,2975 por bushel, equivalente a US$ 194,65 por tonelada. Na Bolsa de Kansas, o contrato março/26 do trigo Hard Winter recuou 2,5%, fechando a US$ 5,3125 por bushel, ou US$ 195,20 por tonelada. Na Argentina, os preços FOB subiram 0,5% no período, encerrando em US$ 209,00 por tonelada.
Fonte: Cepea, Secex e bolsas internacionais. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.