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09/Feb/2026

Preços do trigo estáveis com problemas no grão argentino

A indústria moageira brasileira de trigo deve intensificar a diversificação de suas fontes de importação para mitigar a queda na qualidade da safra Argentina 2025/26. Embora a Argentina continue sendo o principal fornecedor do Brasil, em virtude da proximidade e vantagens competitivas, moinhos já planejam elevar a participação de cereal de outras origens para garantir os blends exigidos pela indústria nacional de panificação e massas.

A queda de qualidade do trigo argentino, especialmente em parâmetros associados ao teor de proteína e desempenho industrial, aumenta a necessidade de complementação com grãos de outras origens. A estratégia tende a reforçar compras de Estados Unidos, Canadá, Uruguai, Paraguai e Rússia, combinando características técnicas distintas para compor misturas com padrão mais estável para farinha.

No Paraná, o cenário de qualidade inferior na Argentina já interfere diretamente nas negociações. Mesmo com a proximidade do trigo argentino, moinhos do Estado avaliam maior uso do trigo do Paraguai, beneficiado por fretes mais competitivos e por melhor adequação às exigências industriais neste ciclo. A rejeição ao trigo argentino aumentou, diante da dificuldade de encontrar lotes com teor de proteína de 11,5%, nível considerado referência para atender parte relevante das especificações da indústria moageira.

O mercado doméstico, porém, segue com ritmo travado por descompasso entre compradores e vendedores. As indústrias buscam compras com programação para os próximos meses, enquanto produtores tentam negociar no curto prazo, o que limita a evolução dos negócios.

Nas referências de preços no Paraná, as indicações de moinhos em Ponta Grossa (PR) giram em torno de R$ 1.250 por tonelada CIF, para entrega no fim de fevereiro e pagamento em 30 dias. No Norte e Oeste do Estado, as indicações estão em R$ 1.280/t CIF, nas mesmas condições de prazo.

O principal ponto de fricção é o diferencial entre a condição de compra e a expectativa de venda. Compradores ofertam valores postos na indústria (CIF), enquanto produtores pedem patamares equivalentes na condição FOB (retirado na fazenda), o que mantém um intervalo relevante e reduz a liquidez do mercado spot.

Nesse ambiente, o trigo paraguaio ganha espaço como alternativa. No Oeste do Paraná, o produto é ofertado a US$ 225/t, equivalente a R$ 1.172,25/t na cotação utilizada no levantamento. Em Curitiba, as ofertas indicam US$ 240/t, equivalente a R$ 1.250,40/t.

A tendência de curto prazo é de maior diversificação de origens para assegurar regularidade de qualidade, especialmente enquanto persistirem limitações técnicas do trigo argentino e o descompasso de preços no mercado interno.

Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.