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04/Feb/2026

Trigo recua no PR e SC, mas se sustenta no RS e em SP

Os preços do trigo apresentaram movimentos distintos em janeiro entre os principais estados produtores e consumidores do Brasil, refletindo diferenças regionais nas condições de oferta e demanda. Enquanto Santa Catarina e Paraná registraram quedas nas cotações do mercado de lotes, pressionadas pela liquidação de estoques, Rio Grande do Sul e São Paulo apresentaram maior firmeza nos preços ao longo do mês.

Em Santa Catarina, o preço médio do trigo foi de R$ 1.158,92 por tonelada em janeiro, queda de 1,6% em relação a dezembro e de 18,3% na comparação anual, atingindo o menor patamar real desde março de 2018. No Paraná, a média mensal ficou em R$ 1.178,66 por tonelada, recuo de 0,4% frente a dezembro e de 15,2% em relação a janeiro de 2025, também o nível real mais baixo desde outubro de 2023.

No Rio Grande do Sul, os preços mostraram comportamento distinto, com média de R$ 1.050,89 por tonelada em janeiro, a mais elevada dos últimos três meses, registrando alta mensal de 1,4%, apesar da queda anual de 16,1%. Em São Paulo, o preço médio atingiu R$ 1.257,25 por tonelada, avanço de 0,4% frente a dezembro, mas recuo de 19,9% na comparação anual, configurando a maior média desde agosto de 2025, em termos reais.

Na última semana de janeiro, entre os dias 23 e 30, os preços ao produtor apresentaram leve alta de 0,2% no Rio Grande do Sul, enquanto recuaram 1,87% no Paraná e 0,15% em Santa Catarina. No mercado de lotes, as quedas foram de 0,64% no Paraná e de 0,02% em Santa Catarina. Em contrapartida, Rio Grande do Sul e São Paulo registraram variações positivas de 0,65% e 1,09%, respectivamente.

No cenário externo, a conclusão da colheita de trigo na Argentina resultou em produção estimada em 27,8 milhões de toneladas, crescimento de 15,35% em relação à safra anterior e bem acima da média dos últimos cinco anos. Esse volume tende a ampliar o excedente exportável argentino e favorecer as compras brasileiras ao longo do primeiro semestre, embora as paridades de importação indiquem, no curto prazo, maior competitividade do trigo nacional.

Entre 19 e 23 de janeiro, a paridade de importação do trigo argentino para o Paraná foi estimada em US$ 234,67 por tonelada, o que corresponde a R$ 1.252,10 por tonelada, considerando dólar médio de R$ 5,3355. No mesmo período, o trigo nacional no estado apresentou média inferior, de R$ 1.182,07 por tonelada. No Rio Grande do Sul, a paridade do produto argentino foi de US$ 219,47 por tonelada, equivalente a R$ 1.170,99, frente à média estadual de R$ 1.050,89 por tonelada, reduzindo o incentivo às importações no curto prazo.

Nesse contexto, as importações brasileiras de trigo apresentaram forte retração. Até a quarta semana de janeiro, a média diária foi de 419,73 mil toneladas, queda de 41,46% em relação às 717,02 mil toneladas registradas no mesmo período do ano anterior. Os preços médios de importação ficaram em US$ 212,7 por tonelada FOB, 7,58% abaixo dos observados um ano antes.

No mercado internacional, os preços futuros do trigo subiram na última semana de janeiro, impulsionados pelos riscos climáticos à safra de inverno nos Estados Unidos e pela demanda externa relativamente firme. Entre 23 e 30 de janeiro, o contrato março/26 do trigo Soft Red Winter avançou 1,6%, encerrando a US$ 5,38 por bushel, embora a média mensal de janeiro tenha recuado 1,82% frente a dezembro. Já o contrato março/26 do trigo Hard Winter registrou alta semanal de 0,7%, com média mensal de janeiro em US$ 5,2477 por bushel, a mais elevada desde julho de 2025.

Na Argentina, os preços FOB permaneceram estáveis no período, encerrando janeiro em US$ 208,43 por tonelada. No mercado de derivados, a menor demanda dificultou o fechamento de negócios com farinhas ao longo do mês. Ainda assim, a maioria das moageiras optou por manter os preços, aguardando melhora do consumo na segunda quinzena de fevereiro. Em janeiro, a média mensal da farinha apresentou leve recuo de 0,17% em relação a dezembro de 2025. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.