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03/Feb/2026

Preços do trigo estáveis com moinhos abastecidos

O mercado interno de trigo deve manter o ritmo de baixa liquidez em fevereiro no País. A comercialização avança de forma pontual, com indústrias moageiras com estoques confortáveis e a resistência de produtores em aceitar as cotações atuais na venda do produto. Enquanto moinhos buscam negócios apenas para o médio prazo, a pressão de venda só aparece motivada pela necessidade de abrir espaço nos silos para a entrada da safra de soja e de milho safra de verão (1ª safra 2025/2026). No Paraná, o cenário é de queda nos preços oferecidos pelos moinhos, o que afasta os vendedores. As indústrias estão abastecidas para fevereiro, buscando lotes apenas para entrega em março com pagamento em abril.

O produtor quer vender o trigo e receber na hora. Como o moinho não precisa de imediato, o mercado está muito lento. Na Região de Ponta Grossa, as indicações de moinhos estão em cerca de R$ 1.200,00 por tonelada CIF, para entrega em março e pagamento no fim do mês. Os produtores pedem os mesmos R$ 1.200,00 por tonelada CIF, mas com entrega e pagamento imediatos. Quem tem necessidade acaba vendendo pelo preço de mercado. Quem não precisa, não vende. Na região norte do Estado, as indicações variam de R$ 1.250,00 a R$ 1.280,00 por tonelada CIF para março, enquanto na região oeste ficam entre R$ 1.270,00 e R$ 1.280,00 por tonelada CIF.

A entrada de cereal de outras origens retira o fôlego do produto local. O trigo do Rio Grande do Sul chega ao Paraná a R$ 1.270,00 por tonelada CIF, enquanto o trigo do Paraguai apresenta o melhor custo-benefício, desembarcando na região oeste do Paraná a R$ 1.242,37 por tonelada CIF. Os moinhos compram do Rio Grande do Sul e do Paraguai porque chegam mais baratos e com qualidade. A preferência dos moinhos paranaenses pelo cereal paraguaio sustenta-se, principalmente, na logística. Geograficamente, a proximidade das regiões produtoras do Paraguai com o oeste do Paraná torna o frete rodoviário mais competitivo do que o transporte de lotes vindos do Rio Grande do Sul e da Argentina.

Além disso, a atual qualidade do cereal argentino tem intensificado essa relação. Apesar de a safra argentina de trigo 2025/2026 ter alcançado o recorde de 27,8 milhões de toneladas, o volume elevado veio acompanhado de uma queda na qualidade. O índice de proteína do grão da Argentina está abaixo do padrão de 11,5% exigido pela indústria. Hoje, o melhor trigo da América do Sul é o paraguaio. No Rio Grande do Sul, o quadro é de calmaria. As compras dos moinhos são estritamente pontuais, reflexo da baixa moagem e da falta de espaço físico. Em fevereiro praticamente ninguém mais terá espaço; somente para março ou abril.

As indicações de moinhos no Estado oscilam entre R$ 1.150,00 e R$ 1.200,00 por tonelada CIF, a depender do prazo de pagamento. O único fator de pressão de venda é a colheita da soja e do milho safra de verão (1ª safra 2025/2026), que obriga produtores a liquidar lotes de trigo para liberar armazéns. Tem produtor que precisa vender por causa de espaço e acaba comercializando a preços mais baixos. As exportações do Rio Grande do Sul continuam enfraquecidas, com tradings indicando R$ 1.140,00 por tonelada CIF Porto de Rio Grande. Os produtores não têm como fazer uma entrega tão imediata, então os embarques estão fracos. A demanda está concentrada no mercado interno. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.