20/Jan/2026
A produção global de trigo na safra 2025/2026 segue prevista em alta, devendo atingir recorde e ultrapassar em mais de 42 milhões de toneladas a da temporada anterior (2024/2025). O volume acima do consumo deve elevar os estoques finais e a relação estoque/consumo, segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). No Brasil, mesmo com oferta menor, a queda do consumo e das exportações deve levar o estoque de passagem de julho/2026 ao maior nível desde julho/2019, conforme a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Em janeiro/2026, o USDA ampliou as estimativas de produção para China, Rússia e Brasil, e as reduziu para a Turquia. A previsão é que a safra mundial de trigo 2025/2026 alcance 842,17 milhões de toneladas, quantidade 0,5% superior à projetada no relatório de dezembro/2025 e 5,2% acima da registrada em 2024/2025.
Do lado do consumo, o USDA ajustou positivamente os dados da Rússia e do Marrocos e reduziu as previsões para o Paquistão, a Turquia e os Estados Unidos. Com produção acima do consumo, os estoques finais mundiais foram revisados para cima, totalizando 278,25 milhões de toneladas, 1,2% a mais que no mês anterior e superando em 7% os da temporada 2024/2025. O comércio global foi estimado em 219,76 milhões de toneladas, aumentos de 0,5% de dezembro para janeiro e de 7,5% sobre a safra passada. Do lado das importações, em relação a dezembro, foram revistos positivamente os volumes para Marrocos, Vietnã, Japão e Arábia Saudita; enquanto, para a Tailândia, as estimativas foram revisadas para menos. Quanto às exportações, os dados de janeiro elevaram os embarques para a Argentina e o Cazaquistão, enquanto houve revisão negativa para a União Europeia e a Ucrânia.
De acordo com o levantamento divulgado no dia 15 de janeiro pela Conab, a colheita de trigo no Brasil foi finalizada com menor produção frente ao relatório do mês passado, dada a revisão na produtividade média nacional. A produção brasileira de 2025 foi estimada em 7,873 milhões de toneladas, 1,1% abaixo da projeção de dezembro e 0,2% inferior à de 2024. A produtividade média é estimada em 3,219 toneladas por hectare, retração de 1,2% no comparativo mensal, mas alta de 24,8% sobre a safra passada. A área teve leve reajuste para cima no mês (+0,1%), mas recuou 20% em relação à temporada anterior. De dezembro/2025 para janeiro/2026, também houve elevação do estoque inicial, devido ao ajuste das exportações entre agosto/2024 e julho/2025, assim como nas estimativas de embarques entre agosto/2025 e julho/2026.
O excedente previsto desta temporada subiu para 4,28 milhões de toneladas, contra 3,33 milhões da anterior. As exportações são projetadas em 2,04 milhões de toneladas, resultando em excedente de 2,24 milhões de toneladas, o maior desde 2019. A relação estoque/consumo deve se elevar para 19%, a maior desde 2018. No Brasil, no mercado de balcão (preço pago ao produtor) os preços registram alta no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, impulsionados pela demanda aquecida e pela postura cautelosa de produtores em meio à entressafra. No mercado de lotes (negociação entre empresas), as cotações têm baixa no Paraná e no Rio Grande do Sul, pressionados pela cautela e pelo retorno gradual dos moinhos às negociações. Nos últimos sete dias, as altas são de 1,27% no mercado de balcão (valor ao produtor) do Rio Grande do Sul e de 0,41% em Santa Catarina, enquanto a variação é negativa em 0,72% no Paraná.
Nas negociações entre empresas (lotes), as cotações têm baixa de 0,78% no Paraná, 0,35% no Rio Grande do Sul e seguem estáveis em Santa Catarina e em São Paulo (+0,05%). Na Bolsa de Chicago, o contrato Março/2026 do trigo Soft Red Winter tem alta de 0,1% nos últimos sete dias, para US$ 5,18 por bushel (US$ 190,33 por tonelada), em meio à percepção de risco geopolítico, o que levou a um movimento de cobertura de posições vendidas. Na Bolsa de Kansas, o Hard Winter registra recuo de 0,6% no mesmo período, para US$ 5,27 por bushel (US$ 193,73 por tonelada), pressionado pela oferta mundial ampla. Conforme divulgado no dia 15 de janeiro pela Bolsa de Cereais de Buenos Aires, a colheita da temporada 2025/2026 foi finalizada na Argentina, com produção projetada em 27,8 milhões de toneladas, um recorde no país. Os valores FOB divulgados pelo Ministério da Economia apresentam queda de 0,5% nos últimos sete dias, a US$ 209,00 por tonelada. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.