13/Jan/2026
Os baixos preços externos do trigo e a ampla oferta do cereal em termos mundiais contribuíram para o crescimento das compras brasileiras em 2025. Os volumes importados no ano atingiram os maiores níveis desde 2013, enquanto a cotação de dezembro/2025 foi a menor desde março de 2020. Com estoques internos confortáveis, empresas domésticas iniciam 2026 sem uma forte presença no mercado interno. Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), em dezembro, chegaram aos portos brasileiros 698,74 mil toneladas de trigo, a segunda maior quantidade do ano (abaixo apenas da de janeiro, de 717 mil toneladas) e a maior para o mês de dezembro desde 2016. No acumulado de 2025, as importações somaram 6,894 milhões de toneladas do cereal, 3,7% a mais que em 2024.
Do total importado, 78,6% tiveram como origem a Argentina, crescimento de 29% em relação ao ano anterior. Do restante, 11,1% vieram do Uruguai, 7,4%, do Paraguai, 2%, dos Estados Unidos e 0,9% vieram do Canadá. O estado de São Paulo recebeu 19% das importações, seguido por Ceará (14,4%), Paraná (12,8%), Bahia (11,2%) e Pernambuco (10,3%). Outras 15 Unidades da Federação receberam 32,4% das compras de 2025. As exportações de trigo, por sua vez, somaram 676,64 mil toneladas em dezembro, o maior volume desde março/2024. No ano passado, foram embarcadas 2,32 milhões de toneladas, queda de 18% em relação a 2024 e a quantidade mais baixa desde 2021. As negociações domésticas estão lentas. O preço pago ao produtor registra recuo na maioria das regiões, influenciado pela retração de compradores, que relatam estar estocados.
Em contrapartida, no mercado de lotes, as cotações têm alta (com exceção do Paraná), refletindo o recuo dos vendedores, que aguardam valores mais altos com o avanço da entressafra. Nos últimos sete dias, os preços no mercado balcão (valor pago ao produtor) registram recuo de 1,42% em Santa Catarina, 0,62% no Paraná e 0,05% no Rio Grande do Sul. No mercado de lotes (negociação entre empresas), as cotações têm alta de 2% em São Paulo, 0,54% em Santa Catarina e 0,42% no Rio Grande do Sul, mas baixa de 0,38% no Paraná. As tensões geopolíticas envolvendo regiões de fluxos comerciais, principalmente o Mar Negro, provocaram incertezas no mercado, elevando os preços externos na última semana. Além disso, o clima mais seco em algumas áreas de cultivo de trigo de inverno nos Estados Unidos reforçou a alta.
Na Bolsa de Chicago, o contrato Março/2026 do trigo Soft Red Winter da Bolsa de Chicago apresenta avanço de 2,1% nos últimos sete dias, para US$ 5,17 por bushel (US$ 190,06 por tonelada). Na Bolsa de Kansas, o Hard Winter tem alta de 3% no mesmo período, a US$ 5,30 por bushel (US$ 194,83 por tonelada). Na Argentina, conforme divulgado no dia 9 de janeiro pela Bolsa de Cereais de Buenos Aires, a colheita da temporada 2025/2026 caminha para a reta final, com 98,5% da área já colhida. A expectativa é que a produção seja de 27,8 milhões de toneladas, 49,5% acima da safra anterior. Os valores FOB divulgados pelo Ministério da Economia registram valorização de 1% nos últimos sete dias, a US$ 210,00 por tonelada. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.