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06/Jan/2026

Tendências e previsões para o mercado em 2026

As expressivas quedas nos preços do trigo ao longo de 2025 devem manter a atratividade da cultura reduzida aos produtores brasileiros. Diante desse cenário, não se esperam avanços significativos na área destinada ao cereal no primeiro semestre de 2026, o que tende a preservar a dependência das importações para o abastecimento interno. As exportações, por sua vez, devem continuar a desempenhar um papel importante, escoando entre 25% e 30% da produção nacional e contribuindo para atenuar a pressão de baixa sobre os valores domésticos, ainda que a paridade de importação permaneça como o principal fator de formação das cotações internas. Em julho de 2025, os estoques disponíveis no mercado interno correspondiam a aproximadamente 6 semanas de consumo, contra as 2,2 semanas observadas em 2024. A produção colhida no segundo semestre de 2025 foi semelhante à da safra anterior, enquanto as importações entre agosto e novembro somaram 2 milhões de toneladas, elevando a disponibilidade interna do cereal.

Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), as importações de agosto/2025 a julho/2026 devem atingir 6,7 milhões de toneladas, o que indica que, entre dezembro/2025 e julho/2026, o ritmo será ainda mais intenso do que o observado nos quatro primeiros meses do ano-safra. Com isso, a Conab projeta uma disponibilidade interna superior a 16 milhões de toneladas entre agosto/2025 e julho/2026, volume 5,3% maior do que o registrado na temporada anterior. Desse total, cerca de 11,8 milhões de toneladas devem ser destinadas ao consumo doméstico, enquanto 2,24 milhões de toneladas devem ser exportadas entre agosto/2025 e julho/2026. Mesmo assim, os estoques finais em julho/2026 são estimados em 2 milhões de toneladas, o equivalente a 8,7 semanas de consumo, a maior relação desde 2020. Nesse contexto, não se vislumbram recuperações consistentes de preços no início de 2026. Além disso, as importações devem continuar exercendo pressão sobre o mercado ao longo do ano, uma vez que o trigo importado continuará competindo com a produção nacional, o que é reforçado pela maior oferta do principal fornecedor, a Argentina.

De acordo com dados da Bolsa de Cereais de Buenos Aires, a produção argentina de trigo na safra 2025/2026 foi estimada em 27,8 milhões de toneladas, um novo recorde. Projeções indicam aumento dos custos operacionais de produção em relação a 2024. No Paraná, na região de Cascavel, os custos médios de novembro e dezembro de 2025 avançaram 4,1% em relação à média do mesmo período de 2024, enquanto os preços do trigo recuaram 14,5%. Como resultado, a margem operacional tornou-se negativa em mais de 5%, em contraste com o resultado positivo superior a 15% observado em 2024. Para cobrir o custo operacional, o produtor precisaria receber cerca de R$ 68,00 por saca de 60 Kg. No Rio Grande do Sul, na região de Carazinho, o custo médio caiu 2%, mas a receita recuou 11,2%, o que levou a margem operacional para patamar negativo próximo de 10%. No final de 2024, o cenário era de equilíbrio entre receita e custos operacionais. Na média de novembro e dezembro de 2025, o preço de equilíbrio ficou em torno de R$ 66,00 por saca de 60 Kg, patamar semelhante ao observado no Paraná, mas bem acima dos preços vigentes no mercado interno, reforçando o quadro de desestímulo à produção na nova temporada.

Dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indicam produção de 837,8 milhões de toneladas de trigo na temporada mundial 2025/2026, aumento de 4,6% em relação à safra 2024/2025 e um novo recorde. Destacam-se os crescimentos na produção da União Europeia (+17,9%), da Argentina (+29,7%), do Canadá (+11,2%), da Austrália (+8,5%), da Rússia (+7,2%), do Reino Unido (+6,3%), da Índia (+4,1%), do Egito (+2,2%), do Cazaquistão (+1,7%) e dos Estados Unidos (+0,3%). O consumo mundial é estimado em 822,97 milhões de toneladas para 2025/2026, alta de 1,5% em relação à temporada anterior. Entre os 16 maiores consumidores globais, apenas a China deve registrar retração (-1,3%) sobre o ano anterior. Os estoques finais globais devem totalizar 274,87 milhões de toneladas, avanço de 5,7% em relação à safra passada e o maior volume desde 2021/2022. A relação estoque/consumo mundial é estimada em 33,4%. As transações internacionais devem atingir 218,66 milhões de toneladas, o que equivale a 26,1% da produção global.

Entre os 11 maiores exportadores, 6 devem ampliar seus embarques em 2025/2026 em relação a 2024/2025, com destaque para a Argentina (+39,3%), o Brasil (+31,8%), a Austrália (+26,8%), a União Europeia (+18,4%), os Estados Unidos (+8,0%) e a Rússia (+2,3%). Quanto às importações, dos 26 maiores países compradores, 21 devem elevar seus volumes adquiridos no mesmo período. Os preços futuros nas bolsas norte-americanas sinalizam altas acima de 10% entre os contratos Março/2026 e Dezembro/2026, mas operam bem abaixo dos registrados no início de 2025. Na Bolsa de Chicago, o contrato Março/2026 do trigo Soft Red Winter fechou 2025 a US$ 5,07 por bushel (US$ 186,29 por tonelada), 17,4% menor que os US$ 6,13 por bushel no encerramento de 2024. Na Bolsa de Kansas, o contrato Março/2026 do trigo Hard Winter fechou 2025 em US$ 5,14 por bushel (US$ 189,14 por tonelada), 16,7% abaixo do registrado no último dia útil de 2024. A pressão vem do amplo estoque mundial, diante de produção crescente acima do consumo. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.