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05/Jan/2026

Indústrias de trigo atentas à volatilidade cambial

A indústria brasileira de trigo deverá enfrentar um ambiente de maior atenção à gestão de custos e margens em 2026, diante da expectativa de elevada volatilidade cambial associada ao ano eleitoral. Os moinhos nacionais já operam estruturalmente expostos às oscilações do câmbio, uma vez que aproximadamente metade do trigo processado no País é importada, mas a instabilidade política e econômica tende a intensificar os riscos ao longo do próximo ano.

Em cenários de valorização do dólar, a indústria moageira sofre pressão direta sobre os custos de aquisição da matéria-prima, o que frequentemente exige repasses ao longo da cadeia, alcançando preços da farinha e, posteriormente, dos produtos panificados. Esse mecanismo reforça um viés inflacionário, especialmente em um contexto de maior sensibilidade dos consumidores e de incertezas macroeconômicas.

No Sul do País, particularmente no Paraná, a expectativa é de variações expressivas na taxa de câmbio ao longo de 2026, com possibilidade de oscilações amplas dentro do próprio ano. Esse ambiente tende a afetar diretamente as margens da indústria, exigindo maior planejamento financeiro e estratégias de proteção. Como os moinhos operam com estoques físicos equivalentes a vários meses de moagem, em função das exigências técnicas de mesclas e do hedge físico de preços médios, decisões antecipadas tornam-se fundamentais para mitigar riscos.

No Rio Grande do Sul, o ambiente também tende a ser mais sensível, tanto para a indústria quanto para os produtores. Os preços do trigo no Estado são fortemente influenciados pela paridade de exportação, fazendo com que o câmbio exerça papel central na formação de preços domésticos. Em um cenário de dólar mais elevado, os preços do trigo tendem a subir, enquanto movimentos de apreciação cambial atuam no sentido oposto, aumentando a volatilidade das negociações.

Apesar desse contexto mais desafiador, parte do setor avalia que a volatilidade cambial já faz parte da rotina da indústria de trigo no Brasil. Ainda assim, reconhece-se que anos eleitorais costumam elevar o nível de estresse do mercado, exigindo maior disciplina na gestão de riscos, estoques e contratos. A volatilidade não se limita apenas ao câmbio, mas se soma às oscilações inerentes ao mercado internacional de trigo.

Em regiões altamente dependentes de trigo importado, como o Nordeste, o câmbio é apontado como o principal fator de influência sobre o mercado ao longo de 2026. Questões relacionadas à qualidade do trigo tendem a se estabilizar ao longo do tempo, enquanto a taxa de câmbio deve permanecer como elemento de pressão contínua durante todo o ano, impactando custos, margens e decisões comerciais da indústria moageira.

Nesse contexto, a expectativa é de que a volatilidade cambial seja o principal vetor de risco para o setor de trigo em 2026, reforçando a necessidade de estratégias de hedge, planejamento antecipado de compras e maior atenção à formação de preços ao longo da cadeia. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.