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05/Jan/2026

Moinhos terão que importar trigo de outras origens

A indústria moageira nacional poderá recorrer a países de fora do Mercosul para se abastecer com trigo em 2026. Alguns moinhos já discutem essa possibilidade visto que a Argentina, principal fornecedor do grão para o Brasil, com cerca de 80% do total importado, teve problemas de qualidade na safra 2025/2026. A qualidade do cereal que está sendo colhido agora na Argentina não atende ao padrão da panificação brasileira. Entre as alternativas, há o trigo dos Estados Unidos, mesmo que comprima as margens do moinho e eleve o preço da farinha. Pelas regras do Mercosul, o trigo do bloco está isento do imposto de importação de 10%, que vigora para os demais países, caso dos EUA, Canadá e Rússia, dos quais a indústria nacional costuma comprar o grão. Vale lembrar que o Brasil pode importar até 750 mil toneladas de trigo por ano de outros países com isenção de taxa. Há maior dificuldade nesta temporada para obter o "blend" esperado na produção de farinha.

O trigo nacional deve ser melhor neste ano. No caso do trigo paranaense, a colheita diminuiu em virtude de secas e geadas, o que exigirá maior importação. No Rio Grande do Sul, moinhos também monitoram a qualidade do cereal que virá do país vizinho. Talvez o trigo do Sul da Argentina esteja melhor do que o do Norte, região que está com maiores problemas. Será possível contar com a oferta de trigo do Estado. Apesar das condições climáticas durante o ciclo, os gaúchos deverão dispor de bom volume. Pelo menos no primeiro semestre não deverá haver nenhum estresse em termos de fornecimento de matéria-prima. É pouco provável que os moinhos gaúchos recorram ao trigo dos Estados Unidos, porque o frete é bem mais caro. Se a qualidade continuar preocupando, moinhos devem procurar regiões cuja safra não apresentou problemas. No Nordeste, a indústria deve recorrer às regiões produtoras da Argentina onde o clima não afetou tanto a qualidade da safra de trigo.

A região sul argentina pode ser um antídoto para o problema do menor teor de proteína do trigo, mas só deve haver uma confirmação sobre a qualidade do cereal em meados de fevereiro, quando a colheita da safra argentina deverá estar concluída. Se for necessário recorrer a trigo de outros países, como Estados Unidos, Canadá e Rússia, as condições de comercialização nesta temporada deverão ser mais favoráveis. A oferta é robusta no mundo inteiro e os preços do trigo estão mais baixos. Na temporada 2025/2026, a Argentina deve produzir 27,1 milhões de toneladas de trigo em uma área semeada de 7,1 milhões de hectares. Durante o desenvolvimento da safra, o excesso de umidade na maior parte do país afetou a qualidade do cereal e reduziu o teor de proteína. O trigo já colhido na Argentina apresenta um índice de proteína de 11,1% e de glúten de 21,3%, os menores porcentuais desde a safra 2015/2016. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.