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09/Jul/2024

Preços do trigo estão firmes no mercado interno

O clima seco das últimas semanas, especialmente no Paraná, em São Paulo e em Santa Catarina, limitou o avanço da semeadura e o desenvolvimento das lavouras de trigo já implantadas. Esse cenário vem preocupando os agentes, tendo em vista que pode resultar em menor produtividade. Ao mesmo tempo, as chuvas em parte da Região Sul do País nesse último final de semana podem amenizar a situação. Segundo o Departamento de Economia Rural (Deral/Seab), no Paraná, as condições das lavouras estão piorando. Em relatório divulgado no dia 4 de julho, as áreas que apresentavam boas condições caíram para 67%, contra 69% na semana anterior. Em muitas regiões, são 40 dias sem chuvas, sendo o pior início de safra desde 2011. No Rio Grande do Sul, a Emater-RS indica que, até 4 de julho, a semeadura somava 69% da área.

As recentes menores temperaturas no estado gaúcho favoreceram a cultura do trigo. No geral, o desenvolvimento inicial das plantas ocorre rapidamente, e o aspecto das lavouras é considerado adequado em função da boa população de plantas. Quanto às negociações no físico nacional, há dificuldades em conseguir acordar preços, diante da grande disparidade entre os valores de compra e de venda. Enquanto os vendedores mais capitalizados e com trigo de maior qualidade pedem preços superiores, agentes de moinhos ativos no mercado tentam adquirir lotes a valores menores. No geral, as cotações seguem relativamente firmes, sustentadas sobretudo pela baixa disponibilidade do cereal neste período de entressafra, além do aumento dos preços externos e da maior taxa de câmbio, sendo estes dois últimos fatores que elevam a paridade de importação.

Nos últimos sete dias, no mercado de balcão (preço pago ao produtor), os valores do trigo apresentam alta de 0,18% no Rio Grande do Sul e de 0,13% no Paraná, mas registram recuo de 0,25% em Santa Catarina. No mercado de lotes (negociações entre empresas), há aumentos de 2,23% do Paraná e de 1,38% em Santa Catarina, porém, recuos de 0,43% no Rio Grande do Sul e de 0,27% em São Paulo. Com as vendas em alta nos Estados Unidos, os futuros do trigo estão em alta. Exportadores norte-americanos relataram embarques de 805,3 mil toneladas de trigo da safra 2024/2025 na semana encerrada em 27 de junho, acima das projeções de analistas. Segundo a consultoria agrícola SovEcon, a safra de trigo da Rússia deve alcançar 84,1 milhões de toneladas em 2024, acima da estimativa anterior, de 80,7 milhões de toneladas.

Os números de produção para todas as regiões-chave do país foram ajustados para cima, com a colheita do sul agora projetada em 33,2 milhões de toneladas. Diante disso, na Bolsa de Chicago, o primeiro vencimento (Julho/2024) do trigo Soft Red Winter registra avanço de 3,4% nos últimos sete dias, a US$ 5,72 por bushel (US$ 210,27 por tonelada). Na Bolsa de Kansas, o mesmo vencimento do trigo Hard Red Winter tem valorização de 1,3%, a US$ 5,95 por bushel (US$ 218,72 por tonelada). Na Argentina, a semeadura de trigo da safra 2024/2025 avançou 4,3% na última semana, alcançando 85,3% da área total prevista, de 6,3 milhões de hectares. A situação dos cultivos é boa ou excelente para 50,9% da área. Nesse cenário, os preços FOB do Ministério da Agroindústria apresentam baixa de 0,4% nos últimos sete dias.

Conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), em junho, chegaram aos portos brasileiros 604,6 mil toneladas de trigo, 8% a menos que em maio, mas 90,2% a mais que em junho/2023. No 1º semestre de 2024, as importações somaram 3,37 milhões de toneladas, contra 2,1 milhões no mesmo período de 2023. Trata-se do maior volume importado em um primeiro semestre desde 2012. Quanto às exportações, o Brasil embarcou 25,87 mil toneladas de trigo em junho, sendo a menor quantidade de 2024. Porém, no acumulado do primeiro semestre, as vendas atingiram 2,48 milhões de toneladas, um recorde. As importações de farinhas totalizaram 24,6 mil toneladas em junho, queda de 11,4% em relação ao mês anterior, mas aumento de 19,4% frente a junho/2023. As exportações de farinhas somaram 356 toneladas em junho, volume 37,4% superior ao de maio (259 toneladas) e 49,6% maior na comparação com o de junho/2023 (238 toneladas). Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.