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25/Jun/2024

Preços do trigo estão firmes no mercado doméstico

Os preços do trigo seguem firmes no mercado brasileiro, operando acima dos patamares registrados no mesmo período do ano passado. A sustentação vem dos baixos estoques domésticos, especialmente de produto de qualidade superior, e da elevação da paridade de importação. Além disso, a área da nova safra, que tem sido semeada, deve ser menor que a da temporada anterior, fazendo com que a oferta fique dependente do clima e do seu impacto sobre a produtividade. No campo, os produtores brasileiros estão focados nos tratos culturais das lavouras já implantadas e/ou na semeadura, especialmente os do Rio Grande do Sul, que iniciaram as atividades relativamente mais tardiamente neste ano. Segundo a Emater-RS, houve expressivo avanço nos trabalhos de campo na semana passada, mas chuvas interromperam as atividades em alguns casos. Essas precipitações devem favorecer a germinação das sementes implantadas.

Em Santa Catarina, a Epagri estima área de 125,35 mil hectares em 2024, sendo 8,8% menor que a de 2023. Apesar disso, a colheita pode ser 41% maior que em 2023/2024, podendo atingir 432 mil toneladas, devido à estimativa de crescimento de 54% na produtividade média das lavouras, para 3.452 Kg por hectare. No Paraná, o Departamento de Economia Rural (Deral/Seab) estima que 91% da área prevista havia sido semeada até dia 20 de junho, com avanço em relação ao registrado para o mesmo período em 2023. O Departamento indica que o clima seco vem dificultando um progresso ainda maior das atividades em algumas áreas e resultando em germinação desuniforme das lavouras implantadas. Além disso, os preços firmes dos últimos meses têm incentivado os produtores a buscarem por novas lotes de sementes, o que poderá, por sua vez, levar a uma revisão positiva das estimativas de área destinada ao trigo no Paraná.

Enquanto os produtores estão atentos ao campo, os compradores se mostram estocados, sem necessidade de aquisições de grandes volumes. Nesse cenário, a liquidez segue lenta no mercado brasileiro. Nos últimos sete dias, os preços apresentam alta de 0,26% no mercado de balcão (preço pago ao produtor) do Paraná, 1,04% no do Rio Grande do Sul e 3,27% em Santa Catarina. No mercado de lotes (negociações entre empresas), os valores têm avanço de 1,55% no Rio Grande do Sul e 0,89% em Santa Catarina, mas queda de 1,87% no Paraná e 0,78% em São Paulo. Os preços internacionais de trigo estão pressionados pela expectativa de ampla oferta global e pela desvalorização do milho, substituto direto na ração animal. O avanço do dólar frente a importantes moedas também pressiona as cotações externas. Na Bolsa de Chicago, o primeiro vencimento (Julho/2024) do trigo Soft Red Winter registra recuo de 8,4% nos últimos sete dias, cotado a US$ 5,61 por bushel (US$ 206,32 por tonelada).

Na Bolsa de Kansas, o mesmo vencimento do trigo Hard Red Winter te, baixa de 7,4%, a US$ 5,81 por bushel (US$ 213,57 por tonelada). Na Argentina, de acordo com a Bolsa de Cereais de Buenos Aires, a semeadura da safra 2024/2025 avançou 19,2% na última semana, somando 65,5% da área prevista, que passou de 6,2 milhões de hectares para 6,3 milhões de hectares. Na comparação com igual período do ano passado, os trabalhos estão 7,5% adiantados. Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), até a segunda semana de junho (com 10 dias úteis), as importações brasileiras de trigo somaram 228,82 mil toneladas, volume 28% inferior ao dos 21 dias úteis de junho/2023 (317,8 mil toneladas). O preço médio do cereal importado foi de US$ 248,60 por tonelada FOB origem, queda de 21,4% no comparativo anual. Quanto às exportações, o Brasil embarcou 25,86 mil toneladas na parcial deste mês, contra 4,2 toneladas em junho/2023. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.