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18/Jun/2024

Preços do trigo estão firmes no mercado doméstico

Neste período de entressafra, os preços do trigo seguem firmes no Brasil. Os produtores mantêm suas ofertas a valores maiores no spot, sobretudo para o cereal de qualidade superior (PH>78), ao passo que os agentes de moinhos tentam adquirir novos lotes a preços mais baixos. Esse cenário limita a liquidez, e as negociações ocorrem de forma pontual. No campo, estimativas oficiais apontam queda na área a ser cultivada no País. Nos últimos sete dias, no mercado de balcão (valor pago ao produtor), as cotações registram alta de 0,39% no Paraná, 2,6% no Rio Grande do Sul e 1,42% em Santa Catarina. No mercado de lotes (negociações entre empresas), os avanços são de 3,43% no Rio Grande do Sul, de 1,91% no Paraná e de 3,76% em São Paulo. Em Santa Catarina, os preços se mantêm estáveis no período.

Relatório divulgado no dia 13 de junho pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indica que o segundo semestre de 2023 foi marcado pela queda nos estoques de trigo, que totalizaram 6,4 milhões de toneladas, volume 13,3% inferior ao do encerramento de 2022. Os estoques foram limitados por problemas climáticos e, de fato, a disponibilidade interna de trigo está baixa, levando até mesmo muitos demandantes a intensificarem as importações. No campo, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), em relatório divulgado neste mês, indicou que a área nacional deve somar 3,087 milhões de hectares em 2024, sendo 11,4% menor que a do ano passado. A produtividade, no entanto, pode crescer 26,3% no mesmo comparativo (2.945 quilos por hectare).

Assim, a produção está estimada em 9,065 milhões de toneladas, alta de 12% frente à safra finalizada em 2023. A Conab estima que 6 milhões de toneladas sejam importadas entre agosto/2024 e julho/2025. A disponibilidade interna está projetada em 15,16 milhões de toneladas; e o consumo doméstico, em 12,49 milhões de toneladas. As exportações permanecem apontadas em 2 milhões de toneladas. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) estima a produção global de trigo em 790,752 milhões de toneladas, queda de 0,93% frente ao relatório de maio, mas alta de 0,4% em relação à safra passada. A situação de abastecimento da Rússia vem se tornando uma preocupação. A colheita da Rússia deve somar 83 milhões de toneladas 11% abaixo da temporada passada.

Para o Brasil, a projeção é de 9,5 milhões de toneladas, 17,3% acima da safra 2023/2024. Quanto ao consumo global, a previsão é de 798,04 milhões de toneladas em 2024/2025, queda de 0,1% frente a 2023/2024. Os estoques finais foram novamente reduzidos e devem somar 252,26 milhões de toneladas, retrações de 0,5% em relação ao relatório passado e de 2,8% frente à temporada anterior. A exportação global está estimada em 212,987 milhões de toneladas em 2024/2025, sendo 1,1% inferior às estimadas em maio e 4,1% menores que as da temporada passada. Os preços externos do trigo estão pressionados, influenciados, em parte, pela valorização no dólar frente a importantes moedas e pelo avanço da colheita do trigo inverno nos Estados Unidos. Além disso, a desaceleração das exportações demonstrada pelo USDA em relatório semanal também pressiona as cotações.

Diante disso, na Bolsa de Chicago, o primeiro vencimento (Julho/2024) do trigo Soft Red Winter tem queda de 2,4% nos últimos sete dias, a US$ 6,12 por bushel (US$ 225,15 por tonelada). Na Bolsa de Kansas, o mesmo vencimento do trigo Hard Red Winter apresenta desvalorização de 5,7%, a US$ 6,27 por bushel (US$ 230,57 por tonelada). Na Argentina, os preços FOB do Ministério da Agroindústria registram recuo de 2% nos últimos sete dias. A média de junho está em US$ 293,60 por tonelada, 3,4% acima da média de maio/2024 (US$ 283,82 por tonelada). A Bolsa de Cereais de Buenos Aires informou, no dia 13 de junho, que o plantio de trigo da safra 2024/2025 da Argentina avançou 20,6% na última semana, alcançando 46,3% da área total prevista, de 6,2 milhões de hectares. Na comparação com igual período do ano passado, os trabalhos estão 7,3% adiantados. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.