06/Nov/2026
Os contratos futuros de soja negociados na Bolsa de Chicago fecharam em baixa nesta quinta-feira (05/11), pressionados pela ampla oferta norte-americana e pelo avanço da colheita nos Estados Unidos, que se aproxima da conclusão. A entrada da nova safra no mercado amplia a disponibilidade do grão e reforça a pressão sobre as cotações. Também pesa a possibilidade de o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) elevar, na próxima terça-feira (10/11), sua estimativa para a produção do país, que já está projetada em nível recorde. A StoneX aumentou sua previsão de produtividade da soja norte-americana de 3,639 para 3,699 toneladas por hectare. No relatório de oferta e demanda de outubro, o USDA havia estimado rendimento inferior, de 3,571 toneladas por hectare.
O contrato janeiro recuou 14 cents (1,16%), e fechou a US$ 11,88 por bushel. A queda de 2% dos contratos de óleo de soja e a valorização do dólar ante o Real também contribuíram para a pressão sobre os futuros. O câmbio mais favorável tende a estimular a competitividade das exportações brasileiras. Segundo a estimativa mais recente da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), o Brasil deverá embarcar 3,33 milhões de toneladas de soja em novembro, volume 21,3% inferior às 4,23 milhões de toneladas exportadas no mesmo mês de 2025. A ausência de novas vendas avulsas de soja norte-americana para a China também limitou o desempenho dos contratos. O USDA informou que os exportadores dos Estados Unidos comercializaram 1,46 milhão de toneladas da safra 2026/27 na semana encerrada em 29 de outubro.
O volume representou queda de 44% ante a semana anterior e de 11% em relação à média das quatro semanas precedentes. A China respondeu pela compra de 873,9 mil toneladas do total. O resultado ficou abaixo das expectativas dos analistas, que projetavam vendas entre 950 mil e 2,2 milhões de toneladas. A dificuldade de recuperação das cotações chama atenção após o mercado ter encerrado em baixa em 20 das 25 sessões anteriores. A sequência de perdas levanta questionamentos sobre o volume de pressão vendedora ainda existente. O contrato janeiro permanece em território tecnicamente sobrevendido há uma semana e, na sessão anterior, fechou abaixo da média móvel de 200 dias pela primeira vez desde janeiro de 2026, sinalizando enfraquecimento da tendência técnica de preços.