ANÁLISES

AGRO


SOJA


MILHO


ARROZ


ALGODÃO


TRIGO


FEIJÃO


CANA


CAFÉ


CARNES


FLV


INSUMOS

06/Nov/2026

Tarifa mantém vantagem sul-americana na China

A tarifa adicional de 10% aplicada pela China à soja dos Estados Unidos continua favorecendo os fornecedores sul-americanos nas compras realizadas pelo setor privado, mesmo após o compromisso chinês de adquirir pelo menos 25 milhões de toneladas do grão norte-americano na safra 2026/27. Segundo relatório divulgado pelo escritório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) em Pequim, as empresas estatais chinesas sustentam as aquisições americanas para cumprir o acordo comercial, enquanto as companhias privadas priorizam as origens com maior competitividade de preços. Até 22 de outubro, a China havia contratado 15,1 milhões de toneladas de soja dos Estados Unidos para entrega em 2026/27, o equivalente a 60,4% do compromisso estabelecido.

Desse volume, 5,9 milhões de toneladas já haviam sido embarcadas. Apesar do avanço das compras, a sobretaxa de 10% mantém uma desvantagem de preço para o produto americano em relação à soja sul-americana. As empresas estatais deverão continuar liderando as aquisições de soja dos Estados Unidos enquanto os preços das origens sul-americanas não subirem ou a tarifa adicional não for reduzida. O compromisso de compras foi firmado após o encontro entre os presidentes dos dois países em Busan, na Coreia do Sul, em outubro de 2025. As negociações tarifárias posteriores ainda não modificaram esse cenário. Em 25 de setembro, o governo norte-americano anunciou a criação de um mecanismo bilateral denominado Board of Trade, com recomendações para a concessão de tratamento tarifário de nação mais favorecida sobre US$ 30 bilhões em produtos não sensíveis de cada país.

A relação divulgada dois dias depois incluiu a soja destinada à semeadura entre os produtos que poderiam receber redução tarifária, mas deixou de fora a soja destinada ao esmagamento. Até 4 de novembro, não havia anúncio sobre a implementação das reduções. A vantagem competitiva sul-americana também aparece nos dados do comércio entre China e seus principais fornecedores. Estatísticas da alfândega chinesa, compiladas pelo Trade Data Monitor mostram que o Brasil forneceu 85,3 milhões de toneladas de soja à China no ano comercial 2025/26, ante 75,2 milhões de toneladas em 2024/25, aumento de 13,4%. No mesmo intervalo, os embarques dos Estados Unidos recuaram de 22,9 milhões para 12,4 milhões de toneladas, queda de 45,9%.

Os volumes seguem os anos comerciais utilizados pela série chinesa, e não o calendário civil. O relatório também destaca a atuação dos estoques públicos chineses na comercialização do produto importado. Entre dezembro de 2025 e 20 de outubro de 2026, o governo ofereceu aproximadamente 7,2 milhões de toneladas de soja importada em 17 leilões, dos quais foram comercializadas 4,7 milhões de toneladas, cerca de 65% do volume ofertado. O preço médio de venda foi de 4.059 yuans por tonelada. A maior parte da soja disponibilizada nos leilões tinha origem nos Estados Unidos. A disputa pelo mercado chinês continuará condicionada à competitividade relativa entre as origens. Enquanto a sobretaxa de 10% permanecer em vigor, o compromisso diplomático não elimina a vantagem comercial dos exportadores sul-americanos, especialmente do Brasil, no atendimento à demanda das empresas privadas chinesas. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.