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06/Nov/2026

China endurece posição sobre compras dos EUA

A China condicionou a ampliação das compras de produtos agrícolas dos Estados Unidos à implementação de um acordo de redução tarifária entre os dois países, em meio às mudanças no cenário político norte-americano após a vitória dos Democratas nas eleições legislativas de 3 de novembro. Para a Standard Grain, o resultado eleitoral pode reduzir o poder de negociação do presidente Donald Trump e levar a China a adotar uma postura mais rígida nas tratativas comerciais. O Ministério do Comércio da China informou que está disposto a ampliar as importações agrícolas norte-americanas, desde que os dois países implementem o acordo de redução recíproca de tarifas sobre US$ 60 bilhões em mercadorias, sendo US$ 30 bilhões de cada lado. O entendimento foi discutido após uma reunião entre Trump e o presidente chinês, Xi Jinping, em setembro, mas ainda não foi concluído. A posição chinesa está relacionada ao resultado das eleições norte-americanas, nas quais os Democratas conquistaram o controle da Câmara dos Representantes e do Senado.

O novo equilíbrio de forças no Congresso pode dificultar a condução da política tarifária de Trump e reduzir sua capacidade de pressão nas negociações com a China. Uma das principais incertezas envolve o compromisso chinês de adquirir US$ 17 bilhões anuais em produtos agrícolas dos Estados Unidos, além das compras de soja previstas no entendimento comercial. Entre janeiro e setembro, a China importou apenas US$ 7,2 bilhões em outros produtos agrícolas norte-americanos, o menor valor para o período desde 2019. No mercado de soja, a avaliação é de que a China continua avançando para cumprir a meta de aquisição de 25 milhões de toneladas. A situação dos demais produtos agrícolas, entretanto, é considerada menos definida, especialmente diante das dúvidas sobre o cumprimento do compromisso anual de US$ 17 bilhões. A China retomou as compras de soja norte-americana após um período de interrupção durante a disputa comercial, inclusive pagando preços superiores aos praticados no mercado por razões políticas. Com a redução da força política de Trump no Congresso, a China poderá voltar a priorizar a competitividade econômica nas decisões de compra.

Embora a mudança de postura coincida com o resultado eleitoral, ainda é cedo para determinar seus efeitos efetivos sobre o comércio agrícola bilateral. A evolução das negociações interessa diretamente ao Brasil, principal fornecedor de soja à China e concorrente dos Estados Unidos no mercado internacional. Uma eventual redução das compras chinesas do produto norte-americano poderia favorecer a demanda pela soja brasileira. Esse efeito, contudo, dependerá das relações de preços entre as origens, das condições tarifárias e do cumprimento dos compromissos comerciais já assumidos pela China. Além das incertezas comerciais, o mercado acompanha as perspectivas de oferta nos dois países. As cotações na Bolsa de Chicago também sofrem pressão diante da perspectiva de uma safra norte-americana superior à estimativa oficial. A diferença poderia elevar os estoques finais norte-americanos caso não fosse compensada por um aumento das exportações, ampliando a pressão sobre os preços internacionais. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.