06/Nov/2026
O escritório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) em Pequim elevou de aproximadamente 108 milhões para 110 milhões de toneladas sua estimativa de importações chinesas de soja na safra 2026/27, aumento de 1,8% em relação à projeção anterior. A revisão ocorre apesar da expectativa de redução do esmagamento e dos esforços do governo chinês para diminuir a dependência do grão importado. Mesmo com o ajuste, o volume previsto permanece 3,5% abaixo das 114 milhões de toneladas estimadas pelo escritório para 2025/26. A projeção de 110 milhões de toneladas foi elaborada pelo escritório do Serviço Agrícola Estrangeiro (FAS) do USDA em Pequim e difere da estimativa oficial do departamento norte-americano, de 115 milhões de toneladas para 2026/27. A divergência é ainda maior em relação ao Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais da China, cujo sistema de perspectivas agrícolas (Casde) prevê importações de 95,5 milhões de toneladas, queda de 11,6% ante sua própria estimativa para 2025/26.
A projeção chinesa é 14,5 milhões de toneladas inferior à do escritório americano. Duas fontes privadas consultadas pelo FAS trabalham com estimativas de 101,2 milhões e 111,5 milhões de toneladas. A perspectiva de relativa estabilidade das importações está associada ao crescimento moderado da demanda por esmagamento e às iniciativas da China para reduzir a dependência externa. O escritório manteve em 106 milhões de toneladas sua estimativa de processamento de soja em 2026/27, abaixo das 108 milhões de toneladas projetadas para o ciclo anterior. A demanda por farelo de soja, principal coproduto do esmagamento destinado à alimentação animal, enfrenta menor procura da suinocultura e mudanças na formulação das rações. O rebanho chinês de matrizes suínas somava 36,02 milhões de cabeças em setembro, redução de 10,7% em relação ao mesmo mês de 2025. A previsão é de uma retração moderada da produção de suínos em 2027, parcialmente compensada por ganhos de produtividade.
Paralelamente, foi reforçada a política de incentivo ao uso de rações com menor teor de proteína e menor dependência de insumos importados. A participação média do farelo de soja nas formulações havia recuado para 13,6% no fim de 2025, diminuição de 4,1 pontos porcentuais desde o início do plano quinquenal anterior. A soja produzida na China continua apresentando preços elevados, mesmo durante o período de colheita. A cotação média alcançou 4.679 yuans por tonelada, equivalente a US$ 698,00 por tonelada, quase 8% acima do registrado um ano antes. Diante dos preços elevados, os processadores locais restringem as aquisições às necessidades imediatas e aguardam possíveis recuos para recompor os estoques. Grãos com teor de proteína superior a 42% continuam recebendo prêmios. Esse comportamento se refere à soja doméstica, que também é utilizada na alimentação humana, e não representa, isoladamente, um sinal de aumento da demanda por soja importada destinada ao esmagamento.
O escritório do USDA manteve em 20,1 milhões de toneladas a estimativa de produção chinesa de soja em 2026/27. O governo deverá continuar incentivando as unidades de esmagamento, especialmente as estatais, a utilizar o grão nacional, apesar da menor competitividade dos preços e das dificuldades logísticas para transportar a produção do nordeste do país até os centros consumidores do sul. Fontes da indústria estimam que entre 1,5 milhão e 3 milhões de toneladas de soja doméstica, além do volume destinado ao consumo alimentar, poderão ser direcionadas ao processamento. Do lado da oferta internacional, há riscos climáticos para os principais fornecedores sul-americanos. Eventos extremos em 2027, incluindo a possibilidade de ocorrência de um Super El Niño, poderão limitar a oferta exportável de soja da América do Sul. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.