05/Nov/2026
Segundo a Standard Grain, a derrota do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nas eleições legislativas não deve comprometer o programa de US$ 8 bilhões em ajuda aos produtores rurais norte-americanos, mas reduz a perspectiva de liberação de recursos adicionais. O avanço dos democratas, que conquistaram o controle da Câmara dos Representantes e do Senado, pode dificultar a agenda agrícola do governo, embora os pagamentos já anunciados não dependam de nova aprovação do Congresso. Os US$ 8 bilhões estão assegurados porque o programa foi autorizado por meio da Commodity Credit Corporation (CCC), mecanismo federal de financiamento agrícola que permite ao Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) conceder assistência sem necessidade de votação específica do Legislativo. Dessa forma, a execução dos pagamentos não está condicionada à composição do Congresso. Anunciado em 19 de outubro, o programa Harvest Fuel Relief prevê pagamentos aos produtores afetados pelo aumento dos custos de combustíveis e de outros insumos na safra 2026.
Os valores serão calculados com base em uma fórmula nacional que combina a área plantada informada à Farm Service Agency, as estimativas de custo de produção do Economic Research Service e as projeções de produtividade e preços do próprio USDA. O departamento prevê divulgar ainda em novembro as taxas de pagamento para as principais culturas do chamado Title I, entre elas milho, soja, trigo e algodão. Ainda não há, porém, uma data definitiva para o início dos desembolsos. A perspectiva é diferente para uma eventual ampliação do auxílio. Trump havia sinalizado a possibilidade de liberar recursos adicionais caso os republicanos mantivessem o controle do Congresso. Com a mudança na composição das duas Casas, essa possibilidade perde força. A Standard Grain também prevê maior resistência dos democratas às tarifas comerciais impostas por Trump. Parte dessas medidas foi adotada com base em poderes do Executivo e poderá ser alvo de questionamentos no Congresso. A política externa, especialmente a guerra com o Irã, também tende a passar por maior fiscalização e por iniciativas para restringir recursos. O custo de vida teve influência no resultado eleitoral.
A alta dos preços da gasolina e do diesel elevou as despesas dos agricultores durante a colheita, em um cenário de encarecimento generalizado. O analista também relaciona o desgaste eleitoral dos republicanos aos custos associados à guerra com o Irã. A pressão sobre os produtores ocorre em um período de queda dos preços agrícolas. Os mercados de soja e milho podem estar incorporando expectativas de produção superiores às estimativas do USDA. Levantamento divulgado pela StoneX apontou produtividade da soja nos Estados Unidos de 3,70 por tonelada e 11,50 por tonelada para o milho. A demanda norte-americana por soja permanece elevada, tanto nas exportações quanto no processamento industrial, e as vendas externas se recuperaram. Mesmo assim, os preços continuam pressionados, o que reforça a possibilidade de que o mercado esteja antecipando uma safra maior do que a projetada pelo USDA. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.