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30/Oct/2026

Complexo Soja: preços globais devem subir em 2027

Os preços internacionais da soja e de seus derivados devem continuar em alta em 2027, apesar da perspectiva de uma sexta safra mundial recorde consecutiva. O Banco Mundial projeta aumento de 11,4% para o óleo de soja, de 9,5% para o farelo e de 5,3% para o grão, impulsionado pela demanda por biocombustíveis e alimentação animal. O consumo mundial deve crescer acima da produção. Para a soja em grão, a previsão do preço médio internacional é de US$ 515,00 por tonelada em 2027, ante US$ 489,00 por tonelada projetados para 2026. No óleo de soja, a cotação média deve avançar de US$ 1.585,00 para US$ 1.765,00 por tonelada. Para o farelo, utilizado principalmente na alimentação animal, a previsão é de alta de US$ 430,00 para US$ 471,00 por tonelada. Os valores correspondem a médias anuais internacionais e não representam preços pagos diretamente aos produtores brasileiros.

As novas projeções também superam as estimativas divulgadas em abril. Na ocasião, o Banco Mundial previa preços médios de US$ 446,00 por tonelada para a soja em grão em 2027, de US$ 1.236,00 para o óleo e de US$ 363,00 para o farelo. Em relação aos valores anteriores, as previsões atuais são 15,5%, 42,8% e 29,8% maiores, respectivamente. A expectativa de valorização ocorre mesmo diante do crescimento da oferta mundial. A produção de soja deve aumentar 2% na safra 2026/27, sustentada pela expansão da área cultivada e por ganhos de produtividade. O consumo, contudo, tende a avançar em ritmo superior, reduzindo pelo segundo ano consecutivo a relação entre estoques finais e demanda, indicador utilizado para avaliar a disponibilidade do produto no mercado internacional. Nos Estados Unidos, o uso de óleo de soja na fabricação de biocombustíveis deve superar, pela primeira vez, metade do consumo doméstico do produto.

O Banco Mundial destaca que a valorização do petróleo e as exigências de mistura de combustíveis renováveis ampliam a demanda por óleos vegetais. No mercado de farelo, a sustentação dos preços está associada à procura mundial por alimentação animal, em um cenário de encarecimento dos grãos utilizados na formulação de rações. O relatório também aponta efeitos dos conflitos no Oriente Médio e na região do Mar Negro sobre os mercados agrícolas. Enquanto os preços elevados do petróleo favorecem a produção de biocombustíveis, ataques a portos e embarcações dificultam o comércio internacional de grãos e oleaginosas. Nesse contexto, a instituição projeta alta de 7,8% no índice internacional de preços de óleos e farelos em 2027, após avanço estimado de 17,1% em 2026. O fenômeno El Niño representa um risco adicional para as perspectivas de oferta.

Segundo o Banco Mundial, secas e temperaturas elevadas podem prejudicar lavouras em importantes regiões produtoras, enquanto chuvas excessivas podem dificultar as operações agrícolas, inclusive no Brasil. O cenário básico considera perdas climáticas administráveis, mas condições mais severas, combinadas à continuidade dos conflitos geopolíticos, podem elevar os preços dos alimentos acima das projeções atuais. Para 2028, o Banco Mundial prevê redução de 4,9% no preço médio internacional da soja em grão e de 9,3% no óleo de soja, diante da expectativa de diminuição das pressões sobre a oferta. Para o farelo, a projeção é de relativa estabilidade, com alta de 0,6%. As estimativas indicam, portanto, perspectivas distintas para os três produtos após a valorização prevista para 2027, com maior correção esperada para o óleo de soja. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.