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26/Oct/2026

Preços da soja em baixa no mercado doméstico

A paridade de exportação da soja para embarque em 2027 chegou, nesta semana, ao menor patamar desde agosto deste ano, refletindo as expectativas de safra volumosa na temporada 2026/27, influenciada pelo clima favorável nas principais regiões produtoras do Brasil e dos Estados Unidos. Nesse cenário, boa parte dos consumidores esteve resistente a fechar negócios envolvendo grandes volumes, tanto para entrega imediata quanto ao longo de 2027, o que reduziu a liquidez no mercado brasileiro. Em geral, esses agentes estão abastecidos para o curto e o médio prazos e têm feito aquisições pontuais. A estratégia é concentrar as compras na entrada da nova safra brasileira, quando são esperados preços menores – essa expectativa é respaldada pela curva de preços para o próximo ano.

Com base no Porto de Paranaguá (PR), o preço FOB da soja para embarque em fevereiro/27 é de US$ 28,78 por saca de 60 Kg; em março/27, de US$ 27,97 por saca de 60 Kg; em abril/27, de US$ 28,10 por saca de 60 Kg; em maio/27, de US$ 28,30 por saca de 60 Kg; em junho/27, de US$ 28,64 por saca de 60 Kg; em julho/27, de US$ 29,08 por saca de 60 Kg; e em agosto/27, de US$ 29,50 por saca de 60 Kg. Todos esses valores são os mais baixos desde agosto/26. Os valores em Reais, por sua vez, dependem da taxa de câmbio, e o período eleitoral tem deixado agentes ainda mais cautelosos nas negociações. Nos últimos sete dias, o Indicador da soja Paranaguá ESALQ/BM&F, referente ao grão depositado no corredor de exportação e negociado na modalidade spot (pronta entrega), no Porto de Paranaguá, apresenta recuo de 1,8% em Reais e 0,6% em dólar, cotado a R$ 151,92 por saca de 60 Kg, o menor patamar desde 19 de agosto.

A média ponderada da soja no Paraná, refletida no Indicador CEPEA/ESALQ registra queda de 1% nos últimos sete dias, a R$ 147,24 por saca de 60 Kg. Nos últimos sete dias, os preços da soja registram recuo de 1,7% no mercado de balcão (preço pago ao produtor) e 1,3% no mercado de lotes (negociações entre empresas). Na Bolsa de Chicago, o contrato Novembro/26 da soja em grão registra recuo de 0,8% nos últimos sete dias, cotado a US$ 12,53 por bushel. Segundo representantes de indústrias brasileiras, a menor demanda pela matéria-prima também está atrelada à redução no volume de vendas de farelo e de óleo de soja nos últimos dias. No caso do farelo, parte dos consumidores intensificou as aquisições em setembro, formando estoques, o que reduz expressivamente as negociações no spot nacional.

Com isso, as cotações do derivado registram recuo de 1,3% nos últimos sete dias. Quanto ao óleo de soja, as negociações estão lentas, uma vez que a mistura obrigatória de biodiesel ao óleo diesel não foi elevada neste ano, como esperava o mercado, o que limita a demanda do setor de biocombustíveis. Assim, o preço do óleo de soja (posto em São Paulo com ICMS de 12%) tem retração de 2,5% nos últimos sete dias, com média de R$ 6.796,81 por tonelada. Na Bolsa de Chicago, os contratos com vencimento em Dez/26 também apresentam recuo: o do farelo de soja tem baixa de expressivos 3,5% nos últimos sete dias, a US$ 382,83 por tonelada e o do óleo de soja, 0,6%, a US$ 1.471,35 por tonelada. Nos Estados Unidos, a colheita de soja da safra 2026/27 alcançou 64% da área até o dia 18 de outubro, em linha com a média de 65% dos últimos cinco anos, segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

No Brasil, de acordo com Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), 30,1% da área nacional de soja havia sido semeada até o dia 16 de outubro. No Centro-Oeste, Mato Grosso cultivou 60,8% da área, acima dos 39,8% de um ano antes; Goiás, 26%, bem à frente dos 5% registrados no mesmo período de 2025; já em Mato Grosso do Sul, a semeadura atingiu 28% da área, abaixo dos 34% de um ano antes. Na Região Sul, o maior volume de chuvas favoreceu o início das atividades de campo, mas o excesso de umidade limitou o avanço dos trabalhos. Ainda assim, a semeadura está, de modo geral, mais adiantada que na temporada passada.

No Paraná, 39% da área foi semeada, mesmo percentual de um ano antes; em Santa Catarina, 10,9%, ante 3%; e, no Rio Grande do Sul, as atividades alcançaram 1% da área semeada, mas ainda não haviam sido iniciadas no mesmo período do ano passado. No Região Sudeste, a trégua nas chuvas na última semana permitiu intensificar os trabalhos. Em São Paulo, a semeadura alcançou 35% da área, 15% acima de um ano antes, e, em Minas Gerais, 11,2%, ante 6%, ainda conforme a Conab. No Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) iniciou a semeadura desta temporada, com 14% da área cultivada, ante 6% há um ano. No Tocantins, os trabalhos ainda não começaram, enquanto, no mesmo período do ano passado, 7% da área já estava semeada. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.