26/Oct/2026
A demanda global por soja atingiu um patamar que exige safras recordes nos Estados Unidos e na América do Sul para evitar a redução dos estoques mundiais. A avaliação é do produtor e analista Matt Bennett, da Standard Grain, que destaca o ritmo elevado das vendas externas norte-americanas e as compras chinesas como fatores de sustentação do mercado. Nos Estados Unidos, as vendas externas da oleaginosa estão 81% acima das registradas no mesmo período de 2025, enquanto a China já acumula compras superiores a 15 milhões de toneladas para a temporada atual. Na semana encerrada em 15 de outubro, as vendas líquidas norte-americanas de soja somaram 2,83 milhões de toneladas. O volume superou o registrado na semana anterior e a média das quatro semanas precedentes, com a China como principal compradora. As compras chinesas superam 15 milhões de toneladas quando consideradas as vendas semanais divulgadas pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) e as operações de venda-relâmpago realizadas posteriormente.
No dia 22 de outubro, a China adquiriu mais de 191 mil toneladas. Desde 14 de outubro, as vendas-relâmpago destinadas ao país somam aproximadamente 2,42 milhões de toneladas. O volume negociado representa pelo menos 60% das 25 milhões de toneladas que integram o compromisso de compras chinesas para a temporada. A expectativa da Standard Grain é de que a meta seja alcançada, considerando o cumprimento de um compromisso anterior de 12 milhões de toneladas. As aquisições também ocorreram em períodos nos quais a soja norte-americana apresentava preços superiores aos do produto sul-americano, indicando a continuidade da demanda chinesa pela origem dos Estados Unidos. Diante do ritmo das vendas externas, o USDA poderá elevar sua estimativa de exportações norte-americanas de soja no relatório mensal de oferta e demanda de novembro. Entretanto, uma eventual revisão para cima das exportações poderá ser acompanhada de aumento na projeção de produção, diante dos relatos de produtividade elevada durante a colheita.
Uma elevação na produtividade poderia pressionar as cotações, mesmo com a demanda aquecida. Os Estados Unidos ampliaram a área plantada com soja em aproximadamente 2,3 milhões de hectares, e o USDA estima produtividade recorde. Apesar da perspectiva de oferta elevada, os preços da oleaginosa têm apresentado maior resistência em comparação com outros grãos. Para a Standard Grain, esse comportamento reflete tanto o desempenho das exportações quanto o processamento doméstico, com expectativa de volume recorde de esmagamento de soja nos Estados Unidos na temporada atual. Na América do Sul, as condições climáticas também integram as avaliações sobre a oferta global de grãos. Modelos meteorológicos indicam precipitações entre 25 e 127 milímetros acima da média nos próximos 15 dias em áreas das Regiões Sul e Sudeste do Brasil. Os maiores volumes e o risco de enchentes estão concentrados no Paraná, onde o excesso de chuva pode atrasar o plantio de soja e milho.
Dados da CropProfit citados pela Standard Grain projetam precipitação equivalente a 171% da média histórica no Paraná nos próximos sete dias, enquanto Mato Grosso deve permanecer em condições mais próximas da normalidade. Apesar do excesso de umidade previsto para áreas brasileiras, a Standard Grain considera prematuro classificar o cenário como uma ameaça à produção sul-americana. O risco aumentaria caso as chuvas excessivas persistissem no Sul do Brasil e fossem acompanhadas simultaneamente por calor e seca no norte da América do Sul durante fases importantes do desenvolvimento da soja. A continuidade dessas condições nas próximas três semanas seria um fator relevante para reavaliar os riscos à produtividade. O cenário combina demanda global elevada, perspectiva de produção recorde de soja nos principais países fornecedores e incertezas sobre a produtividade e o ritmo das exportações de milho dos Estados Unidos. A evolução das compras chinesas, as revisões das estimativas do USDA e as condições climáticas na América do Sul serão determinantes para o comportamento das cotações e dos estoques mundiais ao longo da temporada. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.